Cresce oferta de crédito para consumidor

A oferta de crédito ao consumidor já supera os prognósticos traçados para este ano. O crescimento ocorreu apesar dos juros altos e das turbulências no mercado internacional. A inadimplência mais baixa também foi um fator relevante para o crescimento da oferta de crédito, mas ainda continua acima dos níveis históricos. De janeiro a maio deste ano, o volume de dinheiro emprestado para compra de bens, crédito pessoal e cheque especial cresceu 65,2% em relação ao mesmo período de 1999.Os bancos chegaram a calcular acréscimo de 30% nos volumes de crédito para 2000 e as financeiras estimavam um aumento da ordem de 10%. Apesar da queda, os juros ainda são muito salgados Com a última redução da taxa de juros básica - Selic -, na semana passada, de 18,5% para 17,5% ao ano e o viés de baixa, as instituições financeiras começaram a reduzir as taxas ao consumidor, movimento que pode se intensificar ao longo do ano.Especialistas acreditam que os juros só irão cair significativamente e estimular o consumo quando o custo básico do dinheiro recuar para um nível inferior a 15% ao ano. O vice-presidente da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), Miguel José Ribeiro de Oliveira, acha que o crédito barato para consumo só deve acontecer no ano que vem.Enquanto isso, os bancos e financeiras cobram juros muito altos, se comparados às taxas pagas nas operações de investimento. A taxa anual de juros paga por um correntistas nas linhas de cheque especial é de 236,83%. Já o Certificado de Depósito bancário (CDB) paga taxas de 17,90% ao ano ao investidor. Inadimplência alta ainda é obstáculo Para Leonel Andrade, diretor-executivo, Comercial e de Marketing da Losango, financeira do Lloyds TSB, o freio na queda dos juros continua sendo a inadimplência. Ele calcula que os juros médios da sua empresa para aquisição de bens, hoje em 7,1% ao mês, poderão recuar para 6% ao mês até dezembro. Segundo o diretor do Banco Cacique, Wanderley Vettore, o calote menor, porém alto, ainda é um obstáculo a uma queda maior das taxas de juros. No Banco Cacique, a perda por conta de atraso superior a 60 dias é 8% dos créditos a receber. No ano passado estava em 10% e a média histórica oscila entre 6% e 7%.

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