Cresce preocupação com calote de Porto Rico

Porto Rico, território no Caribe que pertence aos Estados Unidos, corre o risco de se transformar em uma "nova Grécia". Com US$ 72 bilhões em dívidas, e sem condições de arcar com os passivos, analistas em Wall Street alertam para a rápida deterioração da economia local e possível contágio de um default para fora das fronteiras da ilha, afetando fundos e bancos nos Estados Unidos e outras regiões.

Altamiro Silva Júnior, CORRESPONDENTE / NOVA YORK, O Estado de S.Paulo

08 de julho de 2015 | 02h05

O Fundo Monetário Internacional (FMI) ressaltou ontem, em documento avaliando a economia dos EUA, que a situação em Porto Rico vem piorando e que cresce o temor de um possível default.

As preocupações sobre Porto Rico começaram a aumentar depois que o governador Alejandro Garcia Padilla disse não ter como pagar a dívida de US$ 72 bilhões e que a ilha caminha para uma "espiral da morte". Ontem, ele endossou o coro de alguns analistas e declarou que Porto Rico pode se transformar em uma "nova Grécia" caso nada seja feito.

Vários fundos e bancos de Wall Street têm papéis da dívida de Porto Rico em suas carteiras e, por isso, pode haver contágio se ocorrer um calote. De 1.884 carteiras de bônus, 377 aplicaram em títulos da região. Um levantamento da empresa Morningstar mostra que fundos de bônus municipais dos EUA têm US$ 11,3 bilhões aplicados em papéis do território. Entre os maiores detentores estão as gestoras Oppenheimer e Franklin Resources.

Um parecer de Anne Krueger, ex-economista do Banco Mundial, feito a pedido de autoridades de Porto Rico e divulgado no começo do mês, afirma que o território enfrenta problemas difíceis que demandam uma solução "urgente". A economia local deve encolher 1% em 2015. Para ela, a fraca atividade econômica da região nos últimos dez anos é um dos principais fatores que explicam a crise a que o país chegou.

Além da economia enfraquecida, Porto Rico teve de lidar com problemas financeiros gerados, entre outros fatores, pelo estouro de uma bolha no mercado imobiliário, que também contribuiu para forte queda dos investimentos em construção civil. Além disso, contas públicas em deterioração e a saída de vários moradores do território, que migraram para os EUA, ajudaram a comprometer a situação. Para tentar resolver o problema, o governo local tem tomado medidas de austeridade, como a elevação de impostos, o que tem incentivado mais pessoas a deixar a ilha.

A Casa Branca afirmou que não pretende socorrer Porto Rico. O governador local quer pedir falência, como fez a cidade de Detroit, em 2013. O problema é que as regras de Washington só permitem que cidades e outras entidades públicas dos EUA entrem com esse pedido, e não um território fora do país. Por isso, a situação foi parar no Congresso, com pressão para que a regra seja alterada.

Enquanto não vem uma solução, o governador local criou um grupo de trabalho para analisar opções para a reestruturação da dívida até 30 de agosto.

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