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Cresce pressão por saída de chefe do FMI; camareira vai depor

Uma camareira de hotel que diz que o diretor-gerente do FMI, Dominique Strauss-Kahn, tentou estuprá-la deve depor perante um júri de Nova York na quarta-feira, com o presidenciável francês enfrentando uma crescente pressão para renunciar.

BASIL KATZ E CATHERINE BREMER, REUTERS

18 de maio de 2011 | 15h35

Um advogado da viúva africana de 32 anos rejeitou a sugestão da defesa de Strauss-Kahn de que o incidente no luxuoso Times Square Sofitel no último sábado não poderia ter sido uma agressão sexual.

"Não houve nada de consensual no que aconteceu naquele quarto de hotel", disse o advogado Jeffrey Shapiro, no programa da NBC "Today", acrescentando que acreditava que ela iria testemunhar "em algum momento hoje".

A prisão arrasou as perspectivas de Strauss-Kahn para disputar a Presidência francesa e levantou questões mais amplas sobre o futuro do Fundo Monetário Internacional. Os países em desenvolvimento, que pretendem indicar um sucessor, questionaram que a Europa permaneça no posto.

Os Estados Unidos, maior participante do FMI, disseram que Strauss-Kahn era claramente incapaz de continuar a administrar a instituição de uma cela de prisão, independentemente do resultado jurídico.

"Não posso comentar sobre o caso, mas ele obviamente não está em condições de comandar o FMI", afirmou o secretário de Tesouro dos EUA, Timothy Geithner, na terça-feira, pedindo que um chefe interino seja nomeado.

O presidente da Comissão Europeia, José Manuel Barroso, disse que a Europa naturalmente indicaria um candidato para substituí-lo, caso Strauss-Kahn decidisse deixar o posto.

A Alemanha, que prefere um europeu no cargo, disse que o FMI deveria achar um substituto imediato internamente e que era cedo demais para discutir um sucessor para Strauss-Kahn.

Autoridades francesas disseram que o norte-americano John Lipsky, autoridade número dois do FMI, e cujo mandato expira em agosto, representaria o fundo na cúpula do Grupo dos Oito na próxima semana, em Deauville, França.

China, Brasil e África do Sul questionaram o direito da Europa ao cargo mais alto, mas os europeus disseram que fazia sentido para eles se manterem no cargo enquanto o fundo desempenha um papel crucial para ajudar a aliviar a crise da dívida da zona do euro.

Strauss-Kahn, que nega as acusações, deverá permanecer na prisão de Rikers Island, em Nova York, conhecida pela violência de gangues, pelo menos até sua próxima aparição no tribunal, na sexta-feira, quando os advogados podem voltar a pedir a liberdade sob fiança. O julgamento seria daqui a pelo menos seis meses.

Se condenado, ele poderá enfrentar até 25 anos de prisão. Uma fonte policial afirmou que o chefe do FMI tinha sido colocado em alerta de suicídio, mas apenas como medida de precaução.

No sistema jurídico dos EUA, o júri se reúne para ouvir depoimentos e decidir se vai indiciar o suspeito.

O único sinal sobre a possível linha de defesa de Strauss-Kahn veio de seu advogado, Benjamin Brafman, que disse na audiência de segunda-feira: "Acreditamos que as provas não serão consistentes com um encontro forçado".

No entanto, Shapiro disse à Reuters que sua cliente, uma imigrante da Guiné que tem uma filha de 15 anos, não tinha conhecimento da identidade de Strauss-Kahn até um dia depois da suposta agressão.

"Ela não tinha ideia de quem ele era", afirmou o advogado. "Ela quer manter o anonimato, porque está com muito medo de que algo possa acontecer com ela fisicamente, se sente muito ameaçada por isso", disse ele, a respeito da atenção internacional para o caso.

O FMI disse que não tinha estado em contato com Strauss-Kahn desde a sua detenção, mas que seria importante fazê-lo "no momento oportuno". Duas fontes do conselho do FMI disseram à Reuters que perguntariam a Strauss-Kahn se ele pretendia continuar no cargo.

(Reportagem adicional de David Morgan e Lesley Wroughton em Washington, Philip Blenkinsop em Bruxelas)

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