Cresce risco de racionamento de energia, diz Acende Brasil

O risco de um novo racionamentode energia no país aumentou de 5 para 9 por cento em 2008 e de6,5 para 8 por cento em 2009, de acordo com estudo divulgadonesta segunda-feira pelo Instituto Acende Brasil, formado porinvestidores do setor. A previsão para 2008 é um déficit de oferta de energiafirme de 2.600 megawatts e para 2009 e 1.900 megawatts. Nasegunda edição do estudo, em julho, esse défict seria de 2.100mil MW e 1.300 MW, respectivamente. A projeção da terceira edição do estudo trimestral feitopelo Instituto leva em consideração um crescimento do ProdutoInterno Bruto (PIB) de 4,8 por cento e uma expansão na demandade 5,3 por cento. Segundo o documento, o aumento do risco deve-se a atrasosna execução de obras de algumas usinas, o que reduzirá a ofertaestimada para 2008 em 400 megawatts. Outra causa seriamproblemas de fornecimento de gás natural pelos países vizinhos,entre eles a Argentina e Bolívia, diminuindo a oferta aoBrasil. "O balanço ser negativo não significa que vai terracionamento, mas significa que ficaremos mais dependentes deSão Pedro. A mensagem do estudo é que o governo tem que fazerinvestimentos estruturais para ficar imune aos humoresmeteorológicos", disse o consultor do Instituto Acende BrasilMario Veiga. O Brasil passou por um racionamento de energia entre junhode 2001 a fevereiro de 2002 devido à falta de investimentos nosetor nos anos anteriores somada à escassez de chuvas. "Estamos observando uma deterioração da oferta 2008/2009causado pelo problema do gás na Argentina, Bolívia e Brasil.Além disso, o Proinfa está bastante atrasado e 30 por cento dosprojetos ainda nem começaram, sendo que o limite é dezembro de2008", complementou Veiga. O Proinfa é um programa do governo que visa estimular odesenvolvimento de energia limpa no país, mas sucessivosatrasos na implantação dos projetos estão comprometendo aoferta de energia, segundo o estudo. O governo brasileiro no entanto vem negando qualquer riscode abastecimento de energia, no curto ou no longo prazo,acenando com os sucessivos leilões de energia que vem sendorealizados. Este mês, a quinta edição do leilão contratou 110por cento da demanda de energia estimada para 2012. O estudo do Acende Brasil levou em conta a energia firme,ou seja, o que será realmente gerado, e não a capacidadeinstalada, ressaltou Veiga. Em um cenário mais pessimista, o estudo considera o atrasoda entrada das plantas de regaseificação de Gás NaturalLiquefeito (GNL) da Petrobras, que visam atender as usinastérmicas do país, em que o risco de racionamento subiria para9,5 por cento no ano que vem e para 13,5 por cento em 2009. "Tivemos notícias que a Petrobras já contratou os naviospara fazer a regaseificação, porém não há informações se oscontratos para compra do GNL teriam sido fechados", disseVeiga. (Por Rodrigo Viga)

REUTERS

22 de outubro de 2007 | 17h24

Tudo o que sabemos sobre:
ENERGIARACIONAMENTO

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.