Cresce temor com recessão nos EUA; Bolsa segue queda de NY

Retração na oferta de emprego nos EUA em janeiro foi a primeira em quatro anos; Bovespa cai 1,53%

Da Redação,

07 de março de 2008 | 13h36

O temor com uma possível recessão nos Estados Unidos deixa os investidores em alerta mais uma vez nesta sexta-feira. O cenário piorou mais um pouco depois que o Departamento do Trabalho divulgou que o payroll (vagas de trabalho que ficaram disponíveis) caiu 63 mil em fevereiro, após retração de 22 mil em janeiro. A retração na oferta de emprego em janeiro foi a primeira em quatro anos. Diante disso, alguns analistas norte-americanos já consideram que o país entrou em um período de recessão. A Casa Branca declarou que está "decepcionada" com a contração no mercado de trabalho. Veja também:   ESPECIAL: Preço do petróleo em altaLivro Bege confirma desaceleração nos EUAEvolução do preço do dólar Entenda a crise nos Estados Unidos     As bolsas norte-americanas reagiram em queda logo na abertura, mas chegaram a virar para o terreno positivo com ajuda das expectativas de corte dos juros norte-americanos. O setor de tecnologia ajudou a recuperação do mercado. As ações da Ciena dispararam mais de 12%, após informar que seu lucro líquido praticamente triplicou no primeiro trimestre fiscal e elevar sua previsão de receita para o ano fiscal. A empresa registrou lucro líquido de US$ 28,8 milhões (US$ 0,28 por ação). A tendência de alta, contudo, permaneceu por pouco tempo. Às 13h27, o Dow Jones - que mede o desempenho das ações mais negociadas em Nova York - cai 0,55%. A Nasdaq - bolsa que negocia ações do setor de tecnologia e internet - consegue subir e a alta é de 0,20%. No Brasil, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) opera com baixa de 1,53%. David Resler, economista-chefe da Nomura Securities, afirmou que a retração na oferta de emprego "é a evidência mais convincente até agora de que a economia está no que poderíamos qualificar de recessão". O economista-chefe do Deutsche Bank, Joseph LaVorgna, estima que o PIB do país terá contração de 0,5% no trimestre corrente, mas agora também prevê que o PIB caÍra 0,3% no segundo trimestre do ano, ante projeção anterior de 1,0%. Até a última semana, a instituição acreditava que o país conseguiria escapar do processo recessivo, ainda que por uma margem estreita. O porta-voz da Casa Branca Tony Fratto retratou o payroll de fevereiro como misto, apontando para a queda na taxa de desemprego e o contínuo crescimento dos salários. Fratto declarou que a Casa Branca está "obviamente decepcionada ao ver a leitura negativa no payroll". "Mas é um relatório complicado, estes são dados mistos", acrescentou. Ele reconheceu que os três primeiros meses de 2008 "serão um trimestre difícil para a economia dos EUA".

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