Cresce volume de operações de crédito

O volume de operações de crédito para pessoas físicas vem crescendo a passos largos no País, sendo que somente as operações para aquisições de bens registraram elevação de 284,7% em dezembro do ano passado, sobre o mesmo mês do ano anterior. Essa trajetória de crescimento foi um fator fundamental para o incremento de 20,5% na produção industrial de bens duráveis em 2000, três vezes superior aos 6,5% comemorados pela indústria em geral.O chefe do departamento de Indústria do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Silvio Sales, afirma que esse crescimento das operações de crédito das pessoas físicas, como um sinal de aquecimento do consumo, tem relação "direta e fundamental" com o desempenho da produção de bens duráveis, que são especialmente automóveis e eletrodomésticos.Ele atribui o crescimento da procura pelo crédito à redução progressiva das taxas de juros, alongamento dos prazos de financiamento e estabilidade do mercado de trabalho. Para Sales, essa é uma "expressão da confiança do consumidor" na manutenção da renda e do emprego.As perspectivas para o crescimento do volume de operações de crédito persistem para este ano, mas os porcentuais deverão ser inferiores aos apresentados no ano passado, devido à alta base de comparação, como avaliam os economistas da PUC-RJ, Luiz Roberto Cunha, e da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan), Luciana de Sá. Apesar disso, Cunha avalia que "ainda há muito espaço" para o crescimento do crédito no País e lembra que os efeitos desse incremento serão sempre imediatos sobre o comércio e aindústria.Já a economista da Firjan afirma que "grande parte" da recuperação da indústria fluminense no ano passado e o ótimo resultado de janeiro deste ano (aumento de 31,9% da produção sobre o mesmo mês de 2000) pode ser atribuída ao crescimento do crédito. De fato, os dados do Banco Central apontam um aumento de 113,6% nas operações de crédito de pessoas físicas em janeiro deste ano, sobre o mesmo mês do ano passado. No caso daaquisição de bens, o crescimento foi de 281% nesse período.Luciana de Sá lembra que um dos principais estímulos para a busca do crédito é a expectativa de queda nas taxas de juros, que continuam altos apesar da tendência de redução. Também nesse caso os dados do BC comprovam a afirmação. As taxas praticadas para a aquisição de veículos em janeiro deste ano chegaram a 34,9%, com queda de 0,6% sobre os 35,5% cobrados em junho do ano passado. Já os juros para aquisição de outros bens, também para pessoas físicas, chegaram a 61,3% em janeiro de 2001, com redução de 23% sobre os 84,3% cobrados no mesmo mês de 2000.As taxas de juros cobradas no crédito para o consumo deverão continuar caindo, com consequente aumento dos financiamentos, no que depender do diretor de Política Econômica do Banco Central, Ilan Goldfajn. Segundo ele, o BC quer estimular a concorrência entre os bancos para reduzir os juros. "As medidas que o banco vier a tomar serão sempre no sentido de aumentar a concorrência entre as instituições", disse.

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