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Crescem os prejuízos do setor elétrico

Crescem as perdas das empresas do setor de eletricidade decorrentes da mudança do marco regulatório feita pelo governo há dois anos. Agora, segundo reportagem de Renée Pereira, publicada no Estado de ontem, já se admite o surgimento de um novo rombo na conta das distribuidoras, de até R$ 7 bilhões, em 2015.

O Estado de S.Paulo

23 de setembro de 2014 | 02h04

É uma dificuldade a mais para empresas já debilitadas. Desde o fim do ano passado, o maior dos desafios do setor elétrico tem sido equilibrar a situação de caixa no curtíssimo prazo. Mesmo companhias de grande porte, como a Santo Antonio Energia, que vendeu mais energia do que pode produzir a hidrelétrica que constrói no Rio Madeira, atrasam compromissos na Câmara de Comercialização de Energia Elétrica, pedindo socorro aos sócios.

Além do marco regulatório, as dificuldades decorrem da falta de chuvas e seu impacto sobre o preço da energia, hoje em R$ 745 o megawatt-hora (MWh) no mercado livre. Esse preço é pago pela parcela da energia que as distribuidoras têm de entregar aos consumidores, além da que obtêm regularmente das geradoras.

O descompasso entre os contratos de compra e venda de energia já implicou um custo estimado em R$ 66 bilhões pelo banco JP Morgan. Mas até o fim deste ano vencerão outros contratos de fornecimento das geradoras envolvendo 2.961 MW médios. E, se o governo federal não promover leilões que assegurem o fornecimento dessa energia, as distribuidoras terão de recorrer em escala maior ao mercado livre.

A improvisação tem custos pesados para o setor de energia, que depende de políticas de longo prazo, em que nem os riscos meteorológicos podem ser ignorados. Mas, ao mudar o modelo elétrico, o governo federal não contou com a hipótese de que geradoras de grande porte, como a Cemig, de Minas, a Cesp, de São Paulo, e a Copel, do Paraná, preferissem levar suas concessões até o vencimento, sem aderir às novas regras. Já a Eletrobrás, controlada pela União, aderiu às regras e sofreu vultosos prejuízos.

Por ora, os custos da energia cara e escassa recaem sobre a União, que libera os recursos de fundos do setor, sobre as empresas obrigadas a tomar vultosos empréstimos e sobre consumidores cujas tarifas vêm sendo corrigidas em porcentuais elevados, frustrando as promessas oficiais feitas na definição do marco elétrico. Novos desequilíbrios entre oferta e demanda implicarão tarifas ainda maiores, para compensar os desajustes atuais e os previstos.

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