Crescem remessas de brasileiros no exterior

Com o número crescente de brasileiros que vivem e trabalham no exterior, que já chega a 3,1 milhões – sendo 1,3 milhão só nos Estados Unidos –, segundo estimativa do Itamaraty, vêm aumentando as remessas feitas a parentes ou amigos residentes no País. Em 2015, essas transferências somaram US$ 2,46 bilhões, uma elevação de 15,6% em relação ao ano anterior.

O Estado de S. Paulo

12 de abril de 2016 | 03h00

Essa tendência vem apresentando continuidade este ano, tendo o Banco Central (BC) registrado no item Transferências Pessoais uma receita de US$ 375 milhões no primeiro bimestre do ano, 9,3% mais que no mesmo período do ano anterior (US$ 343 milhões).

Essa, porém, é uma via de mão dupla, pois há remessas de pessoas físicas do Brasil para residentes no exterior. No ano passado, essas remessas para países estrangeiros somaram US$ 1,251 bilhão, ficando o saldo do item transferências pessoais em US$ 1,209 bilhão.

Vale notar, porém, que a cotação do dólar tem influência decisiva sobre esse movimento financeiro. Com o real desvalorizado, os brasileiros que trabalham no exterior se sentem incentivados a mandar dinheiro para o País para ajudar a família, para constituir patrimônio mediante aplicações financeiras, aquisição de imóveis ou para abrir um negócio.

Nas transferências pessoais para fora do Brasil, no entanto, verifica-se o contrário. O volume de remessas pessoais para o exterior para beneficiários que estudam em outros países vem caindo. No primeiro bimestre deste ano, essas remessas foram de US$ 133 milhões, 41,15% menos que no mesmo período de 2015 (US$ 226 milhões).

Assim, se o real se mantiver desvalorizado, o item Transferências Pessoais pode vir a apresentar um saldo bem mais robusto este ano. Deve-se levar em conta também que está aumentando bastante o número de brasileiros, especialmente jovens, que, não encontrando colocação no mercado interno, partem em busca de oportunidades no exterior.

O Consulado do Japão em São Paulo confirma um aumento sensível da procura de vistos de trabalho de brasileiros. Dados recentes indicam que 175 mil brasileiros vivem no Japão, número que alcançou 312 mil em 2008. São os dekasseguis. Com a recessão no Brasil, uma nova onda de emigração para o Japão poderá ocorrer. Os registros do Banco Central apontam que os descendentes de japoneses que vão trabalhar no Japão estão entre os que mais dinheiro enviam para o País.

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