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Crescendo para baixo, como a bola de neve

O crescimento econômico gera mais crescimento econômico. É uma das máximas da economia. Menos mencionada é a sua inversão: o decrescimento gera decrescimento.

O Estado de S.Paulo

14 de setembro de 2014 | 02h05

A Fundação Getúlio Vargas (FGV) revisou, de o,6% para 0,2%, a projeção de crescimento da economia brasileira para este ano. O decréscimo do crescimento não é episódico. Vem acontecendo a cada mês e a cada ano do mandato da presidente Dilma Rousseff. Parece um retorno ao processo de desenvolvimento do subdesenvolvimento - explicado por um economista alemão em 1966, em outras circunstâncias, mas que se aplica em parte ao quadro que estamos atravessando na economia brasileira.

E como todo processo, a tendência é de se acentuar. A FGV prevê uma queda de 7,9% na Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), isto é, na taxa de investimento. É a bola de neve ladeira abaixo.

"O tombo já aconteceu. Os investimentos estão parados", diz o presidente da Abimaq, Carlos Pastoriza, que representa o setor de máquinas e equipamentos.

Em 2009 (governo Lula), houve uma queda também significativa na taxa de investimento, mas episódica, provocada pela crise financeira externa de 2008. Não era um problema estrutural do Brasil. A recuperação foi rápida, justificando a esperta expressão do ex-presidente de que tudo não passava de uma "marolinha". As medidas anticíclicas que ele tomou deram resultado positivo quase que imediato.

O problema, agora, é que a queda contínua na taxa de investimento está levando-a para o mesmo nível de 17% do PIB observado em 2007, ano anterior à crise de 2008. Na economia, portanto, o governo Dilma está dando uma marcha à ré de sete anos. E uma das razões é que ela aplicou na economia mais do mesmo modelo Lula: tudo a favor do consumo e pouco a favor do investimento. Até o investimento público perdeu força, como se vê nos balanços do PAC.

Muito do que explica a estagnação deste ano - como energia elétrica mais cara, juros mais elevados, renda aumentando menos, queda na capacidade de endividamento dos consumidores, incerteza sobre a política vindoura - veio de Lula.

Por isso, todos os candidatos falam em "ajustar" a economia. Até a presidente, que acena com mudança na equipe econômica. Mas tudo dependerá da qualidade desse "ajuste" e do que se entende por ele.

E a recuperação? Será muito lenta e sacrificada, se houver.

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