finanças

E-Investidor: "Você não pode ser refém do seu salário, emprego ou empresa", diz Carol Paiffer

‘Cresceremos mais em 2008’, prevê Fenaprevi

Instituição aposta na inserção das classes mais pobres, com o crescimento do mercado de microsseguros

Agência Estado,

29 de novembro de 2007 | 21h54

Criar produtos carimbados, que têm um objetivo de resgate definido; projetar uma tábua de sobrevivência com a expectativa de vida real dos brasileiros que compram planos de previdência; e investir no setor de microsseguros. Esses são os três principais projetos para o setor de previdência privada em 2008, destacados pelo presidente da Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (Fenaprevi), Antonio Cássio dos Santos, também presidente da Mapfre Seguros.  Segundo ele, o setor deve ter um crescimento no próximo ano semelhante ao de 2007, de 25%. Ele aposta na inserção das classes mais pobres. Para isso, conta com o crescimento do mercado de microsseguros, uma forma de seguro popular, no qual as pessoas com mais risco (mais vulneráveis) às catástrofes da vida são inseridas dentro do setor de seguros. E elas, segundo ele, serão os potenciais compradores de planos de previdência. Ele aponta o Brasil como um mercado com mais potencial que o chinês no que diz respeito à expansão da previdência privada.  O mercado vem crescendo a uma taxa anual de 25%. Quais os fatores que têm impulsionado esse mercado? Destaco quatro fatores. O primeiro deles é o grande interesse do investidor pelo VGBL. No início, esse produto apenas complementava a necessidade de poupança de longo prazo das pessoas que já tinham PGBL ou planos tradicionais. Então, uma vez atendida essa necessidade, o VGBL passou a atender uma classe de pessoas que estão na economia informal ou fazem a declaração simplificada do Imposto de Renda. Além disso, nos dois últimos anos, o VGBL deixou de ser uma opção apenas para a classe B e passou a ser de fato uma opção de poupança de longo prazo para a classe C+ e até para a classe C-. Isso acontece porque o produto é flexível, transparente e de fácil acesso, pois com R$ 20 por mês é possível entrar em um plano de previdência. O segundo fator é a necessidade premente da classe média, em especial, de ter um plano de aposentadoria. Ninguém mais acredita que a Previdência Social vá atender às necessidades no momento da aposentadoria. Outro fator é a longevidade. Hoje percebemos que a nossa chance de viver é muito maior que a dos nossos pais, que é muito maior que a dos nossos avós. E, por fim, o quarto fator é a estabilidade econômica. Sem ela, é impossível planejar o futuro. A estabilidade econômica, acompanhada de uma queda da taxa de juros, trouxe outras mudanças para o setor de previdência. Hoje, os planos com perfil mais agressivo, que investem em renda variável, têm atraído mais investidores. Isso é apenas pontual ou é, de fato, uma tendência para o mercado? A previdência privada sempre foi um investimento de longo prazo e o mercado de ações não é uma aplicação de curto prazo. Ou seja, faz todo o sentido o poupador colocar seu dinheiro nos planos de renda mista, que permitem até 49% dos recursos no mercado de ações. No longo prazo, comparando a rentabilidade dos mercados, qualquer ativo teve rentabilidade inferior à da Bolsa. Você pode pegar 10 anos, 5 anos, 3 anos e vai chegar à mesma conclusão. O investidor sabe disso. Ele tem buscado orientação e informação. O que mostra isso é que, com toda essa turbulência que a Bolsa teve nos últimos tempos, o volume de resgate nos planos de renda mista foi inexpressivo. O investidor não é um jogador. Ele está fazendo uma poupança de longo prazo. Não existe preocupação com volatilidade ou mudança de posição a todo momento. O benefício fiscal é um dos atrativos dos planos de previdência. O que mais pode ser feito nesse sentido para aumentar o potencial de formação de poupança de longo prazo nos planos de previdência? O que poderia ter um apelo muito forte para o governo e para nós operadores é a criação de produtos carimbados. São carteiras que já teriam um objetivo definido no período de acumulação das reservas. A Fenaprevi, pensando nisso, quer desenvolver, com a Susep, um produto com esse perfil. Por exemplo: a pessoa compra um plano com o objetivo de pagar suas despesas hospitalares e médicas a partir de uma determinada idade. Isso faria com que um problema social que existe hoje, que é a pessoa não ter dinheiro para pagar um plano de saúde, fosse resolvido com um plano de previdência carimbado com esse objetivo. E aí, sim, com um tratamento tributário distinto. Esse seria um produto que desoneraria a sociedade dos custos de saúde pública. Além disso, abriria espaço para a redução da carga de impostos e, por conseqüência, estimularia o crescimento econômico e social do País. É atraente para a sociedade, para os operadores e para o governo. O mercado de previdência deve ter novidades nos próximos meses, com o projeto de formação de uma tábua de mortalidade específica para o Brasil. Como está essa idéia?  A Fenaprevi lidera esse projeto. E, para que tenha independência técnica e regulatória adequada, conta com o apoio da Susep, que foi a grande motivadora, na medida em que criou a possibilidade de que, se houvesse uma tábua atuarial brasileira, ela poderia ser aplicada nos planos de previdência que são comercializados. E a terceira perna desse projeto é a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que dá consistência técnica, econômico e atuarial para esse projeto. A última notícia é que, em meados de novembro, foi finalizada a primeira fase do projeto, que revelou que é viável a formação de uma tábua atuarial para o Brasil. Ou seja, será possível determinar qual a expectativa de vida para o investidor brasileiro que compra um plano de previdência. Até agora, o que se usa é a tábua atuarial dos americanos. Na América Latina, o Brasil será pioneiro nisso, pois todos os países do continente copiam a expectativa de vida dos americanos ou de algum país europeu, geralmente, a Alemanha. A criação de tábuas brasileiras é mais um passo para o amadurecimento do setor.  Qual o impacto desta nova tábua atuarial para os planos de previdência? Essa tábua cria uma referência mais próxima do que é a nossa realidade. Ela retira, portanto, risco e volatilidade do mercado. Se essa referência será maior ou menor que a usada pelos americanos ainda não sabemos. Mas o que se sabe é que ela será melhor do que a tábua que trabalhamos hoje, pois estará mais alinhada com a realidade. Como está o processo de blindagem dos planos de previdência? Esse é um processo que ainda carece de regulamentação. Mas é preciso explicar que a blindagem dos planos de previdência apenas mitiga o risco do produto. Essa blindagem faz com que os recursos aplicados fiquem em nome do investidor e não mais em nome da seguradora. Ou seja, em caso de quebra do operador, o dinheiro do investidor estará preservado. Mas, com toda a regulamentação que existe hoje, a possibilidade de quebra de uma empresa de previdência é mínima. Tanto é que, com todos os planos econômicos, com todos os entraves, com todos os reveses da economia nos últimos anos, nós não tivemos nenhuma quebra de entidade. Contudo, ainda existe o risco do ativo onde estão aplicados os recursos. O fato é que, quando se fala esse nome, "blindagem", isso induz o consumidor a pensar que ele está blindado de todos os riscos possíveis. Portanto, será preciso rever essa denominação e regulamentar o produto. O senhor chegou à presidência da Fenaprevi há 9 meses. Quais foram os obstáculos nesse período? Não tivemos grandes obstáculos. Na verdade, há grandes desafios. Houve uma transição de superintendente no órgão regulador do setor e, nesse período, há certamente um ajuste, mas sempre tivemos as portas abertas. No que diz respeito ao desenvolvimento do órgão em si, o nosso trabalho tem sido criar bases para a Federação, para que ela possa andar por si só, como acontece com as federações bem organizadas. E ainda precisamos fazer com que o mercado continue se desenvolvendo a taxas expressivas e a gente consiga espaço junto ao órgão regulador e à sociedade. Para isso, conto com um staff técnico de primeira linha e com uma diretoria absolutamente competente. Esse é um processo passo a passo, à medida que o volume de reservas do setor atinge patamares expressivos. Hoje, temos reservas de R$ 110 bilhões. É a maior operação de previdência da América Latina. Quais os projetos para 2008? O primeiro é a criação do Prev Saúde e Prev Educação, os produtos carimbados com objetivo de resgate definido e que estão em linha com o crescimento sustentado do setor. O segundo é a criação da tábua de mortalidade e sobrevivência do Brasil, que vai tirar volatilidade do sistema, dentro de uma realidade que é a nossa, sem precisar copiar modelos de nenhuma parte do mundo. E o terceiro é o seguro de massas e iniciação social, que são os microsseguros. São os seguros que pretendem fazer com que a vulnerabilidade das classes menos abastadas, a base da pirâmide, seja reduzida, seja mitigada. São três projetos ambiciosos, que dependem da aderência do órgão regulador. Poderia explicar melhor o projeto do microsseguro? O microsseguro é um seguro popular. Com ele, as pessoas mais vulneráveis a catástrofes são inseridas dentro do setor de seguros. E elas serão os potenciais compradores de planos de previdência no futuro. Isso significa que, em um primeiro momento, essa base da pirâmide (classes C- e D) seria inserida em sistema de seguro popular (de baixo tíquete), mas com objetivo claro de diminuir vulnerabilidade. E, em um segundo momento, essas mesmas pessoas, à medida que o País cresce, com desenvolvimento econômico e social, seriam potenciais participantes do mercado de previdência privada. Existe de fato um potencial de crescimento para o setor de previdência nessa base da pirâmide? Não dá para dizer qual é esse potencial. O que se sabe é que, de acordo com dados do Banco Mundial, no Brasil, hoje, essa base tem 100 milhões de pessoas. A renda agregada a essa parcela é de US$ 180 bilhões. A China, que é o mercado da moda neste momento, tem 1 bilhão de pessoas na base da pirâmide e a renda agregada dessa parcela é de US$ 120 bilhões. Ou seja, a oportunidade está no Brasil. Aqui na Índia (o presidente da Fenaprevi esteve lá na semana de 12 de novembro), onde participo do Congresso Mundial de Microsseguros, esse produto faz parte da estratégia do governo para a inserção social das populações mais pobres. Qual sua expectativa de crescimento do setor para 2008? À medida que cresce a base, os resultados aumentam. Nossa expectativa para este ano era de um crescimento entre 17% e 20%. Estamos obtendo 24%, 25%. Um trabalho feito na semana passada com os dirigentes da Federação mostrou que a expectativa para 2008 fica entre 22% e 23%. Quase o mesmo deste ano. A pesquisa foi feita no Encontro de Dirigentes da Federação na semana passada. (semana de 7 de novembro).

Tudo o que sabemos sobre:
Especial Previdência

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.