Crescimento alemão evita recessão na zona do euro

PIB da Alemanha cresceu 0,5% no primeiro trimestre; oito países estão em recessão na Europa

GENEBRA, O Estado de S.Paulo

16 de maio de 2012 | 03h06

Na zona do euro, apenas a Alemanha cresce de forma substancial e o bloco vive uma estagnação e uma perspectiva de que a recuperação será lenta e dolorosa. Ontem, a Comissão Europeia revelou os números do primeiro trimestre, apontando que o bloco escapou de uma recessão. Mas o crescimento foi nulo. Entre as grandes economias, apenas a alemã apresentou expansão, enquanto um terço da zona do euro está em recessão, escancarando um racha no continente.

Os dados trouxeram alívio temporário aos mercados, pelo menos até o fracasso da negociação grega e a queda das bolsas. No fim de 2011, o Produto Interno Bruto (PIB) da zona do euro havia recuado 0,3%. O bloco entraria em recessão se repetisse o resultado, e a própria Comissão previa queda de 0,2%.

Mas um desempenho acima do esperado na Alemanha permitiu que a taxa média terminasse zerada. A economia alemã cresceu 0,5% no primeiro trimestre, puxada pela alta nas exportações e a retomada do consumo doméstico.

Para a Capital Economics, os dados mostram que a Europa depende hoje da Alemanha para manter o crescimento. Os dados de fato revelam que, se a Alemanha vai bem, o restante da Europa sofreu uma deterioração econômica, criando uma distância cada vez maior também em relação à recuperação de 0,5% da economia dos Estados Unidos.

No total, oito países da Europa estão em recessão. Além da Alemanha, apenas Áustria, Eslováquia e Finlândia tiveram algum crescimento. Na França, a segunda maior economia, a estagnação predominou, um resultado pior que os últimos três meses de 2011. A situação também se deteriorou na Itália, oficialmente em recessão, com queda de 0,8% do PIB. No final de 2011, a queda havia sido de 0,7%.

"A recessão chegou para ficar por alguns trimestres ainda", indicou o banco ING. Na Espanha, a contração foi de 0,3%. Na Holanda, de 0,2%. A situação mais crítica é a da Grécia, com queda de 6,2% do PIB no trimestre.

O alívio do primeiro trimestre não deve permitir que a Europa escape de meses de crise ainda. A projeção é de que o ano termine com uma redução do PIB de 0,3% e um crescimento mínimo de 1% em 2013. O desemprego baterá um recorde e chegará aos 11%. "Não há sinais de uma recuperação forte no horizonte", apontou o banco ING. "Qualquer obstáculo na crise da dívida ou a saída da Grécia da zona do euro enterrariam vez por todas essa recuperação", alertou.

No bloco europeu, com 27 países, os dados também mostram uma leve alta de 0,1% no PIB no trimestre, ante uma redução de 0,3% no final de 2011. O Reino Unido seria um dos países também em recessão. / J.C.

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