Crescimento antes de investimentos inibe corte maior de juros

Um fator que pode inibir uma decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) na sua reunião de outubro, na semana que vem, por um corte na taxa básica de juros superior a 1 ponto porcentual é a provável preocupação do Banco Central com o chamado hiato do produto. Essa é uma das explicações dadas por vários dos dez economistas consultados pela Agência Estado em levantamento preliminar que apontou a concentração das apostas do mercado em um corte de apenas 1 ponto porcentual na taxaSelic na semana que vem.Segundo os especialistas, em setembro os dados de produção industrial já se mostraram mais fortes, a arrecadação de tributos pela Receita Federal foi melhor e as expectativas dos empresários quanto ao futuro da economia brasileira já melhoraram. Desta forma, segundo imaginam os economistas, a autoridade monetária tentaria, com a promoção de um corte menor na taxa de juros nesta reunião de outubro, evitar um crescimento muito rápido da economia, eliminando o hiato negativo do produto, antes da re tomada dos investimentos.Hoje, de acordo com um dos economistas ouvidos, existe no setor produtivo, com exceção dos segmentos voltados para o mercado externo, uma ociosidade considerável na capacidade instalada. Mas com um eventual crescimento mais dinâmico daatividade, esta ociosidade, em algum momento, antes do desejável, seria totalmente eliminada, batendo no limite da capacidade produtiva.Isso fará com que o Copom promova cortes menores na taxa de juros até o final do ano, diz um analista. Mas como a expectativa do mercado, expressa pela Pesquisa Focus, é de que a Selic encerre o ano que vem em 15%, é provável que oCopom promova uma para da técnica na sua política de corte de juros no decorrer do primeiro trimestre de 2004.Até porque, alegam os economistas, ainda que esteja havendo uma melhora nas expectativas do empresariado quanto à trajetória da economia, ninguém fala, por enquanto, em fazer investimentos. Pelos dados do PIB referente ao segundo trimestre, divulgados em junho, os investimentos realizados no País ficaram por volta de 18% do PIB, um dos resultados mais baixos dos últimos anos.

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