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''Crescimento da arrecadação não ajudará a obter superávit primário''

Everardo Maciel, EX-SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL

Marcelo Rehder, O Estado de S.Paulo

20 de abril de 2011 | 00h00

Secretário da Receita Federal nos oito anos do governo FHC, o hoje consultor tributário Everardo Maciel não tem dúvidas de que arrecadação tributária será recorde em 2011.

O que explica o crescimento recorde da arrecadação?

Os dados são impressionantes. A receita desde 1995 vem mantendo sucessivos recordes de arrecadação, exceto de 2008 a 2009. Isso tem muito a ver com eficiência. No entanto, é verdade que a receita crescente em termos reais se explica também pelo crescimento econômico.

E a alta das alíquotas do IOF, adotada recentemente?

A elevação das alíquotas do IOF teve importância na arrecadação, porém secundária. Não é um imposto de grande repercussão na receita.

O governo se esforça para desacelerar o ritmo de crescimento econômico para controlar a inflação. A arrecadação vai acompanhar esse movimento?

A arrecadação não desacelera na mesma velocidade e proporção, por causa da defasagem entre os períodos de apuração e os fatos econômicos.

Tudo indica que 2011 será ano de arrecadação recorde?

É muito provável que isso aconteça. A arrecadação terá crescimento real sobre a do ano anterior e alcançará recorde.

Vai aliviar o quadro fiscal do País?

Não creio que a ponto suficiente de fazer com que sejam alcançadas as metas de superávit primário constatadas em anos anteriores, de 3% a 3,5% do PIB. Aí, por conta do crescimento desproporcional das despesas no ano anterior.

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