Crescimento da economia permite acréscimo ao Fundo Soberano, diz Dilma

Candidata do PT à presidência fez a afirmação ao citar o tripé econômico formado pelas metas fiscal e de inflação, além de câmbio flutuante.

Célia Froufe e Denise Madueño, da Agência Estado,

25 de maio de 2010 | 12h24

O crescimento da economia brasileira abre as portas para que haja aplicação extra no fundo soberano nacional, que hoje acumula montante próximo a R$ 17 bilhões, segundo a pré-candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff. "Tivemos de diminuir o superávit primário por causa da crise, mas já retomamos e devemos fazer 3,3% este ano. E é obvio que o crescimento da economia nos possibilita acréscimo no Fundo Soberano, por que não?", indagou, durante o "Encontro da Indústria com os Presidenciáveis", realizado na sede da Confederação Nacional da Indústria (CNI), em Brasília.

Dilma fez a afirmação ao citar o tripé econômico formado pelas metas fiscal e de inflação, além de câmbio flutuante. "Todas as três políticas terão de ser mantidas para assegurar a estabilidade", argumentou. Em relação à política monetária, ela citou que a taxa real de juro ex-ante passou de um intervalo de 15% a 20% ao ano no passado para um patamar entre 5% e 6% atualmente. "É alta ainda, sem dúvida, mas demonstra trajetória de queda sustentada", comentou ela.

Sobre o câmbio flutuante, a pré-candidata destacou que a política pôde ser mantida porque foi dirigida ao lado da acumulação de reservas internacionais. "Acumular US$ 250 bilhões é irmão siamês de política de câmbio flutuante", disse.

Dilma defende diversificação das fontes de financiamento

A pré-candidata do PT ainda defendeu a diversificação das fontes de financiamento. "Funding não pode ser só do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social)", disse ela. "Precisamos de instituições assegurando funding, mas temos de ter também formas não bancárias, como é o mercado de capitais", continuou.

Dilma citou ainda que os fundos de pensão são "cruciais" para o financiamento da infraestrutura brasileira. "Sem isso, não iremos resgatar o problema da poupança pública e privada", considerou. Para a pré-candidata, é preciso ter elementos técnicos que permitam a gestão, indução e regulação correta do aumento da poupança pública sem prejuízo ao setor privado.

Ela enfatizou, no entanto, que o BNDES foi um dos principais responsáveis pelo salto do financiamento voltado à infraestrutura. "Sem sombra de dúvida temos de diversificar o funding", repetiu. Dilma salientou que é preciso cortar gastos do governo, mas de forma racional. "Não é cortar gastos de custeio, mas gastos de custeio que não são racionais para o País e seu investimento", disse. A pré-candidata citou como exemplo a defasagem de salários entre funcionários do Executivo e os que fiscalizam o Executivo.

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