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Crescimento da força de trabalho desacelera no País

Avanço nesta década deve ficar em 12,97%, o que representa o menor aumento desde que o indicador foi criado, na década de 80

Luiz Guilherme Gerbelli, de O Estado de S.Paulo,

21 de abril de 2012 | 16h56

SÃO PAULO - A força de trabalho no Brasil vai crescer menos nesta década. Dados da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (Unctad) mostram que a parcela da população brasileira que integra o mercado de trabalho vai aumentar 12,97% no período. A alta do indicador é a menor desde a década de 80, período inicial do levantamento.

O ritmo mais baixo do crescimento da força de trabalho faz com que o País tenha um avanço mais parecido com o desempenho da média mundial. Na década atual, o mundo crescerá 11,27%. Nos anos 90, a diferença entre o crescimento do Brasil e o do mundo chegou a ser de quase 16 pontos porcentuais.

A redução do ritmo de crescimento está atrelada ao ajuste populacional que o Brasil atravessa, sobretudo com a redução da taxa de fecundidade. De acordo com os dados do Banco Mundial, em 2010, a taxa de fecundidade no Brasil foi de 1,9 - em 1980 era de 4,1; dez anos mais tarde, passou para 2,8.

"Como tem menos nascimentos, tem menos gente entrando no mercado de trabalho", afirma André Portela, professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e especialista em economia do trabalho.

O crescimento da força de trabalho no Brasil ainda é maior se comparado ao verificado nas economias mais maduras. A força de trabalho na União Europeia, por exemplo, terá uma expansão de 1,2% nesta década.

Os dados da projeção populacional do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) reforçam a tese de baixo crescimento e envelhecimento da população. Em 2020, a porcentagem de idosos no Brasil terá um peso bem maior do que tinha em 1980. Em 2050, essa participação deverá se ampliar ainda mais.

Produtividade. A redução do ritmo de crescimento da força de trabalho coloca em debate o desempenho da produtividade do trabalho do Brasil. "A economia vai depender cada vez da produtividade desses adultos, para que eles sejam capazes de manter e aumentar a renda per capita da população", diz Portela.

Para especialistas, a redução do ritmo da força de trabalho reforça a necessidade de investimentos em questões que melhorem a produtividade e, sobretudo, na educação. "A gente sempre teve um gasto per capita grande com a população mais idosa. Mas os mais jovens foram crescendo com pouco preparo técnico", afirma Regina Madalozzo, professora do Insper.

"Nós temos de garantir que quem está nascendo agora tenha uma boa educação e uma formação para que consigam sustentar o País", diz Regina.

Qualificação. Com o aquecimento do mercado de trabalho, a baixa qualificação dos trabalhadores ficou escancarada. Segundo Denise Delboni, professora de relações trabalhistas da Faculdade de Economia da Faap, os jovens que entram no mercado de trabalho estão tendo dificuldade para conseguir emprego por causa do pouco preparo que têm.

"Temos poucos jovens qualificados, por isso muitos idosos continuam trabalhando", afirma a professora, para quem o crescimento dá força de trabalho ainda dá "fôlego" para manter o desenvolvimento do País. "O aposentado continua no mercado de trabalho por duas razões: a aposentadoria é ruim e o filho dele não consegue entrar no mercado", afirma.

Na avaliação de Portela, da FGV, a importação de mão de obra qualificada pode ser uma das alternativas para melhorar a competitividade do Brasil. "Essas pessoas já são produtivas, ajudam o País e podem treinar os novos trabalhadores."

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