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ERNESTO RODRIGUES/AE.
ERNESTO RODRIGUES/AE.

Crescimento da indústria em SP não recupera perdas anteriores, diz IBGE

Avanço de 7,1% em janeiro ocorre sobre base fraca e deve ser relativizado, explica economista do instituto

Daniela Amorim, O Estado de S. Paulo

10 de março de 2015 | 19h10

RIO - O crescimento de 7,1% da indústria paulista em janeiro ante dezembro de 2014 deve ser relativizado, porque ocorre sobre uma base de comparação fraca e não recupera as perdas anteriores, afirmou o economista Fernando Abritta, pesquisador na Coordenação de Indústria do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). "Esse crescimento em São Paulo ocorre após dois meses de quedas. Então esse 7,1% de aumento na produção não foi suficiente para recuperar as perdas acumuladas em novembro e dezembro do ano passado, que foram de 9%", apontou Abritta.

O pesquisador ressaltou ainda que, embora em outubro a indústria paulista tenha registrado ligeiro aumento de 0,2%, a produção vinha de outros quatro meses de resultados negativos, de junho a setembro, quando acumulou uma queda de 3,7%. "Então a base de comparação estava muito baixa", explicou ele.

Na passagem de janeiro para dezembro, houve recuperação, sobretudo, nos segmentos de metalurgia, máquinas e materiais elétricos, máquinas e equipamentos, veículos automotores e outros equipamentos de transporte. "Mas a explicação maior é a base de comparação fraca", confirmou.

Na comparação com janeiro de 2014, entretanto, São Paulo registra uma queda de 5,4% na produção, a 11ª taxa negativa consecutiva nesse tipo de comparação. "Então a produção industrial de São Paulo vem caindo há quase um ano", observou Abritta. A retração foi puxada por resultados negativos em 15 das 18 atividades pesquisadas, com destaque para veículos, máquinas e equipamentos, e produtos alimentícios.

Responsável por 36% de toda a produção industrial nacional, São Paulo fabricou menos automóveis, caminhões tratores para reboques, motoniveladores, reboques autocarregáveis para uso agrícola, partes e peças para máquinas para colheitas, válvulas, torneiras e registros, elevadores para transporte de pessoas, tratores agrícolas, açúcar refinado, carnes de bovinos, bombons e chocolate em barra contendo cacau, leite condensado, sorvetes e picolés.


"Toda a conjuntura negativa que vem afetando a indústria permanece. Os juros aumentaram, além de o crédito estar mais restrito, o que vai impactar diretamente a indústria de automóveis e eletrodomésticos. A construção civil desaquecida afeta a metalurgia e minerais não metálicos. A crise na Argentina impacta as exportações, os estoques permanecem elevados, o consumo caiu. Há a desaceleração na China, e a Europa também está patinando", enumerou o pesquisador do IBGE.

Resultados. Nesta terça-feira, 10, o IBGE divulgou a Pesquisa Industrial Mensal - Produção Física Regional, que apontou, em sete das 14 regiões analisadas, crescimento da produção em janeiro deste ano ante dezembro do ano passado. 

Em São Paulo, o maior parque industrial do País, a alta chegou a 7,1%. Outros destaques foram Pernambuco (13,5%) e Minas Gerais (6,5%). Na direção oposta, o maior recuo foi observado na Bahia (-10,1%). No total nacional, a indústria teve expansão de 2,0% em janeiro ante dezembro.   

Apesar do avanço de 7,1% a indústria de São Paulo ainda opera com queda de 5,4% na comparação com janeiro do ano passado, segundo o IBGE. 

O destaque positivo foi o Espírito Santo, com avanço de 18,2% na produção, puxado pelo setor extrativo (minérios de ferro pelotizados e óleos brutos de petróleo). Também registraram aumento o Pará (6,4%), Mato Grosso (5,2%) e Pernambuco (3,3%). A média nacional em janeiro de 2015 ante janeiro de 2014 foi de queda de 5,2%.

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