Crescimento da indústria manteve taxa de desemprego estável em janeiro, diz pesquisa

Setor mostra sinais de recuperação desde outubro e apresentou alta em 6 capitais no início do ano

Anne Warth, da Agência Estado,

24 de fevereiro de 2010 | 12h22

Seguramente o setor mais afetado pela crise financeira internacional, a indústria dá mostras de recuperação desde outubro e foi a responsável por manter a taxa de desemprego estável em São Paulo e em outras cinco das principais regiões metropolitanas do País. A informação é da Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED), realizada pela Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade) e pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

 

"Em janeiro, geralmente, ocorre um aumento do desemprego. Neste ano, o desemprego cresceu para todos os setores, mas diminuiu na indústria. E a indústria registrar crescimento de vagas em janeiro não é algo trivial", disse o coordenador da pesquisa pela Fundação Seade, Alexandre Loloian. Na região metropolitana de São Paulo, o nível de ocupação caiu 1,2% em janeiro em relação a dezembro, mas aumentou 1,5% no caso da indústria, o que representou a criação de 26 mil postos de trabalho.

 

Todos os demais setores - comércio, serviços e o agregado "outros serviços" - registraram queda na ocupação, respectivamente, de 3%, 1,4% e 2,1%. Nas seis regiões metropolitanas pesquisadas - Belo Horizonte, Distrito Federal, Porto Alegre, Recife, Salvador e São Paulo -, o nível de ocupação caiu 0,8% em janeiro ante dezembro, mas subiu 0,8% no caso da indústria, o que representou a criação de 20 mil vagas.

 

Em todos os demais setores - comércio, serviços, construção civil e outros -, houve queda de 1,5%, 0,7%, 3,2% e 1,2%, respectivamente. "A criação de vagas na indústria em janeiro é uma indicação de que o País está tendo um bom crescimento econômico", avaliou Loloian. De acordo com a coordenadora da pesquisa pelo Dieese, Patrícia Lino Costa, também houve um crescimento importante no nível de ocupação da indústria em Porto Alegre, onde o indicador cresceu 0,7% em janeiro ante dezembro.

 

Já em Belo Horizonte, a indústria teve desempenho estável em janeiro, com variação de 0,3%. Segundo ela, a indústria da capital mineira ainda não se recuperou por causa da característica exportadora de sua indústria. Na comparação interanual, o desemprego já está menor do que em janeiro de 2009 em cinco das principais regiões metropolitanas do País, exceto em Belo Horizonte, onde ficou em 9,6% ante 8,8% em janeiro de 2009, também em razão da importância da indústria exportadora na região.

 

No Distrito Federal, o desemprego ficou em 14,7% em janeiro ante 15,7% em janeiro de 2009. Em Porto Alegre, em 9,7% ante 10%. No Recife, em 17,9% ante 18,3%. Em Salvador, em 17,7% ante 19,4%. E em São Paulo, em 11,8% ante 12,5%. O principal destaque nessa base de comparação é o setor de construção civil, cujo nível de ocupação aumentou 8,7% em janeiro ante janeiro de 2009.

 

Todas as capitais pesquisadas tiveram alta no setor: Belo Horizonte (7,9%), Distrito Federal (3,5%), Porto Alegre (14,4%), Recife (10,8%), Salvador (18,9%) e São Paulo (6,3%). Em relação a janeiro de 2009, permanecem negativos nas seis regiões em nível de ocupação a indústria (-0,6%) e o comércio (-0,5%). Serviços apresentam alta de 2,7%, o agregado "outros serviços", de 1,3%, e o nível de ocupação total, de 1,9%.

 

"Comparando janeiro a janeiro de 2009, foram criados nas seis regiões 328 mil empregos. No mesmo período, a população economicamente ativa aumentou em 248 mil pessoas, o que fez com que o contingente de desempregados diminuísse em 79 mil pessoas nas seis regiões", disse Patrícia. Para os coordenadores da pesquisa, a taxa de desemprego tende a apresentar algum crescimento em fevereiro, mas o desempenho da indústria pode reverter essa expectativa. "A indústria é o único setor que tem capacidade de puxar para cima o emprego em outros setores. Como em janeiro a indústria já cresceu, é provável que continue a crescer em fevereiro", explicou Loloian. 

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