Renda extra

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Crescimento das vendas no varejo e salário mínimo

Os dados do comércio varejista para o mês de janeiro surpreenderam. Acusaram, na margem, um crescimento de 2,6%, com reajuste sazonal, e de 7,3%, em relação ao mesmo mês de 2011 (sem reajuste). Mais surpreendentes são os dados dos supermercados, com crescimento de 7,9%, na margem, e de 7,7%, em relação ao mesmo mês do ano passado.

O Estado de S.Paulo

24 de março de 2012 | 03h06

A primeira reação seria atribuir esse crescimento (o maior desde que existe a série) ao aumento de 14% do salário mínimo, cujo pagamento na maioria dos casos ocorreu só no final do mês. Seguramente, ele influiu nas vendas dos supermercados (bens de salário), mas a melhor explicação parece estar na mudança, muito sensível, no peso relativo dos setores analisados: o peso dos supermercados passou de 25,4% para 49,5%, enquanto o do setor de móveis e eletrodomésticos caiu de 53,9% para 20,6%. Isso torna difícil a comparação com os dados anteriores.

O que parece incontestável é o "efeito salário mínimo" no forte aumento das vendas em Estados onde o contingente dos trabalhadores que recebem salário mínimo é o mais importante.

De fato, o comércio varejista do Estado de Roraima cresceu 24,5%; o do Tocantins, 22,8%; o de Mato Grosso do Sul, 18,5%; enquanto o de São Paulo cresceu 7,8% e o do Distrito Federal, onde pouca gente recebe o mínimo, cresceu 2,2%.

Não é apenas nos gastos com alimentação que a melhora da renda se traduziu em aumento das vendas. Com exceção dos equipamentos de informática, cujas vendas em dezembro haviam aumentado 7%, e diminuíram 2,3% em janeiro, todos os outros setores cresceram, com destaque para o vestuário, com aumento na margem de 5,2%, que pode ser resultado de um adiamento de compras à espera das liquidações.

O comércio varejista ampliado, que inclui as vendas de veículos e de material de construção, cresceu apenas 1,4%, e as vendas de veículos caíram 2,6%. Essa queda nos leva a uma reflexão que pode ser importante.

Certamente o endividamento das famílias, que cresceu nas festas natalinas, não favorece a compra de bens de custo elevado. Gastos com a compra de casa própria (que o aumento de 3,7% nas vendas de material de construção confirma) levam a adiar a troca de veículos. Parece, todavia que estamos diante de um novo contexto do consumo em razão do crescimento da classe C. Se nas classes mais ricas a troca de veículos é normal, na classe C ela não será tão frequente. É a mudança social influindo no perfil do comércio.

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