Crescimento de 2004 iniciará série histórica, diz Meirelles

O presidente do BC, Henrique Meirelles, disse esta manhã, em palestra para uma platéria de alunos de graduação da Faap, em São Paulo, que o crescimento do PIB em 2004 será, com certeza, o primeiro de uma série histórica de expansão. A recuperação em curso, segundo ele, tem se mantido num ritmo forte. Meirelles destacou os resultados do quarto trimestre de 2003 em base anualizada (crescimento de 6,14%). "São números fortes em qualquer lugar do mundo. É preciso ter consicência disso. O Brasil está crescendo", afirmou. Ele citou os números referentes à produção industrial pesquisada pelo IBGE e o resultado das vendas da indústria, divulgado pela CNI. "O ritmo forte de recuperação da atividade econômica foi corroborado pelas contas nacionais." Em seguida, o presidente do BC disse que o PIB dessazonalizado da indústria vem crescendo de forma significativa desde o terceiro trimestre. Meirelles reconheceu, no entanto, que alguns setores da economia ainda não mostraram sinais tão fortes de recuperação. "Esse atraso relativo é normal diante dos efeitos da aceleração da inflação a partir do segundo semestre de 2002, que gerou perda de renda real", afirmou ele, ponderando que esses setores se recuperarão à medida em que houver a capilarização dos efeitos da política monetária. Erros passados O presidente do BC disse que prosseguir com a disciplina fiscal e monetária, como fazem "todos os países civilizados, sem exceção", é condição necessária para que o crescimento sustentado se torne uma realidade no Brasil. "É necessário resistir ao apelo fácil dos cantos de sereias, que nos convidam a repetir os erros do passado", afirmou ele, rejeitando propostas de que o governo traga de volta déficits primários ou reduza artificialmente a taxa de juros, sem a redução consistente do risco Brasil. "Seria repetir a mesma série de desastres vivida pela economia brasileira nas últimas décadas. Não é isso o que espera de nós a sociedade brasileira, não é isso o que faremos. " Ata do Copom Segundo Henrique Meirelles, sobre as atas do Copom, disse que é importante que esses documentos tenham credibilidade e que, para isso, sejam "críveis", ou seja, digam a verdade. "O melhor é que a ata expresse com clareza as informações que estão de posse do BC. Não se pode massagear a mensagem. Ela tem de ser cristalina independentemente de ser boa ou ruim", disse o presidente do BC, destacando ser natural que nas ocasiões em que "não gostamos da mensagem queira se dar um tiro no mensageiro". Sobre a autonomia do BC, Meirelles enfatizou que há "total" autonomia operacional na prática e que "não existe qualquer grau de interferência indevida" nas suas decisões. Meirelles lembrou, como de costume, que a experiência internacional mostra que bancos centrais autônomos têm uma política monetária mais eficiente, mas que a discussão sobre este projeto no Brasil cabe ao Congresso e ao Poder Executivo. "Estamos absolutamente tranqüilos com o grau de autonomia que temos hoje", afirmou. FMI O presidente do BC esclareceu que as reuniões com o diretor-gerente do FMI, Horst Köhler, neste final de semana, envolveram dois pontos. O primeiro foi a maneira como é contabilizado o investimento público e das empresas públicas nos cálculos da meta de superávit primário. Segundo Meirelles, há uma concordância do FMI de que os volumes de investimentos públicos na América Latina estão baixos; e há uma disposição por parte do Fundo de discutir até que ponto esses investimentos poderiam ser excluídos da meta, sem comprometer a disciplina fiscal. O segundo ponto, segundo Meirelles, foi a criação de mecanismos preventivos para os países emergentes na ocasião de crises externas que afetem de maneira significativa a liquidez do mercado mundial, a exemplo deste último acordo preventivo firmado com o governo brasileiro. "Muitas vezes o país está na direção correta e quando há uma crise de liquidez internacional ele entra em dificuldades. O que discutimos foi a criação de uma espécie de um seguro para essas ocasiões, parecido com o acordo firmado conosco recentemente, mas de uma forma mais abrangente, envolvendo também outros países", explicou ele. Ao concluir a aula inaugural para os alunos de economia e relações internacionais da Faap, o presidente do BC também disse que a melhora no padrão de vida dos brasileiros, por exemplo, nos quesitos emprego e renda, tem de vir de um crescimento sustentado e não de uma bolha de crescimento que se reverteria em pouco tempo.

Agencia Estado,

01 Março 2004 | 10h53

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