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Crescimento de 7% é referência, não meta, diz premiê chinês

Declaração ocorre à véspera de Congresso que deve aprovar esboço econômico reduzindo o papel do Estado

Agências Internacionais, O Estado de S.Paulo

26 de outubro de 2015 | 03h00

O primeiro-ministro da China, Li Keqiang, afirmou que a taxa de crescimento de 7,0% é uma referência aproximada e não uma meta. “Nós nunca dissemos que temos de defender qualquer meta até a morte, mas, sim, que a economia deve operar dentro de uma faixa razoável”, declarou Li em um discurso na Escola do Partido Central, segundo informações do site do governo chinês.

A declaração foi dada pouco antes do início do Congresso do Partido Comunista, que ocorre nos próximos quatro dias, de hoje a quinta-feira, durante os quais o governo deverá aprovar um esboço econômico para reduzir o papel do Estado nos próximos cinco anos.

O encontro também deverá mostrar sinais sobre a disposição da liderança chinesa de fazer reformas amplas diante da desaceleração do crescimento.

A reunião de quatro dias do Comitê Central – do qual fazem parte 300 ou mais líderes do partido – é um teste para saber se o poder político que o presidente Xi Jinping acumulou desde que chegou ao poder há três anos permitiu que ele superasse a resistência ao programa de reforma apresentado em 2013.

“Os próximos cinco anos serão muito importantes para a reestruturação da economia”, disse Jia Qingguo, reitor associado da Universidade Pequim. “A forma tradicional de gerenciar a economia está encontrando cada vez mais obstáculos”, acrescentou.

O Congresso do Partido Comunista começará uma semana depois de o governo divulgar que a China cresceu 6,9% no terceiro trimestre deste ano e enquanto autoridades sinalizam que a expansão neste ano pode não chegar a 7,0%.

Na sexta-feira o Banco do Povo da China (PBoC) cortou as taxas básicas de juros pela sexta vez em menos de um ano e reduziu o compulsório bancário.

O afrouxamento da política monetária na segunda maior economia mundial está em seu momento mais agressivo desde a crise financeira mundial de 2008/2009, uma vez que o crescimento deve recuar para uma mínima de 25 anos este ano, abaixo de 7,0%.

No evento na Escola Central do Partido, que realiza treinamento de oficiais em ascensão, Li disse ainda que as dificuldades econômicas no horizonte chinês não devem ser subestimadas. Líderes chineses vão dar sinais de que o crescimento é prioridade sobre a reforma ao estabelecer uma meta de crescimento de cerca de 7,0% no próximo plano de longo prazo, segundo pessoas envolvidas na política interna. 

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