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Crescimento discreto da indústria é recebido com desânimo por analistas

A indústria iniciou o segundo semestre com crescimento discreto, sepultando esperanças de expansão mais forte da atividade econômica a partir de julho. Os aumentos de 0,6% na produção em julho ante junho e de 3,2% ante igual mês do ano passado revelaram uma "trajetória de crescimento suave" do setor, na avaliação de Silvio Sales, chefe da coordenação de indústria do IBGE.No acumulado do ano, a produção cresceu 2,7%. Apesar do cenário de expansão, ainda que modesta, os dados da indústria foram recebidos com desânimo por entidades ligadas ao setor. Para André Rebelo, gerente do Departamento de Pesquisas Econômicas da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), os crescimentos de julho não são expressivos e não demonstram qualquer possibilidade de retomada sustentável da atividade industrial neste ano.Rebelo sublinhou que o crescimento nas duas comparações aconteceu a partir de bases muito fracas (em junho, a produção industrial caiu 1,3% sobre maio). Mas a expectativa de atividade nesta segunda metade do ano é tradicionalmente mais favorável, sobretudo por conta das festas de fim de ano. "Haverá um crescimento aqui e outro ali, mas tudo muito chocho. Não se trata de redenção da atividade produtiva", disse o economista da Fiesp, acrescentando que "sem dúvida alguma, os juros e o câmbio são responsáveis por esse comportamento".O economista-chefe do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi) Edgard Pereira, vê um cenário de "estagnação". Ele acredita que a produção industrial terá alguma recuperação neste segundo semestre, mas será um incremento fraco e motivado por questões sazonais, como as festas de fim de ano. A expectativa para a indústria é de que as vendas sejam semelhantes às do ano passado, com algum incremento por conta do aumento dos gastos das famílias, motivados pelo salário mínimo maior, mas nada que leve a indústria a operar em bases superiores às de 2005. O Iedi estima que a produção industrial cresça 3,1% neste ano.Desempenho "lamentável"O desempenho da produção industrial em julho foi qualificado "como lamentável" pelo presidente da Associação Brasileira da Infra-estrutura e Indústria de Base (Abdib), Paulo Godoi. "O resultado do IBGE não indica recuperação, mas que temos que trabalhar muito para melhorar a economia do País", afirmou o líder empresarial após se reunir com o candidato do PSDB a presidência da República Geraldo Alckmin. Godoi mostrou-se particularmente insatisfeito com a alta de 2,2% da produção industrial acumulada nos doze meses do ano encerrados em julho. "O que discutimos é exatamente a capacidade do Brasil em crescer de forma sustentável, enquanto outros países avançam mais. Não é mais nem o caso de China, porque este não é mais nosso concorrente por já estar em outro patamar. Falamos agora de Coréia do Sul e Índia", afirmou o executivo, complementando que "não apenas o Brasil, mas o conjunto da América Latina, está patinando". "O México também não vem com bom desempenho, principalmente quando comparamos resultados observados no mercado asiático", salientou.DesaceleraçãoO Departamento de Economia do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) destacou que os dados confirmaram o que Indicador do Nível de Atividade (INA), calculado pelo Ciesp e pela Fiesp, já havia anunciado: a economia brasileira está em desaceleração. "Ao contrário do mês de junho, em que fatores extemporâneos foram responsáveis pela queda de 1,3% da produção, em julho tivemos a confirmação do fraco dinamismo da economia", disse a entidade em comunicado.O Ciesp avalia que a redução da taxa de juros não tem sido ainda capaz de estimular os investimentos e, "pelo visto, não o fará neste segundo semestre." Os economistas acreditam que os consumidores estão mais cautelosos por conta do elevado endividamento, que tem repercussões diretas para a taxa de inadimplência, e do crescimento do desemprego verificado pelo IBGE nos últimos três meses.Ao contrário do que afirmaram nesta terça os analistas do IBGE, o Ciesp acredita que o mercado doméstico, que vinha sendo apontado como o possível motor do crescimento econômico deste ano, tem se mostrado frágil para cumprir esse papel. "Os fatores ligados à renda e ao emprego, aliados ao aumento das importações fortemente beneficiadas pela valorização cambial, impediram que o dinamismo do mercado interno fosse capaz de ocupar o espaço deixado pelas exportações."Atividade econômicaO gerente-executivo da Unidade de Política Econômica da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Flávio Castelo Branco, disse nesta terça que a atividade econômica no País deve continuar apresentando um crescimento "moderado" neste segundo semestre. Na avaliação de Castelo Branco, a expansão da atividade será puxada, principalmente, pela demanda doméstica. O setor externo, segundo o gerente, continuará dando uma contribuição negativa para o crescimento da economia brasileira, em função da excessiva valorização da taxa de câmbio. Para este ano, a CNI deverá revisar, nas próximas semanas, sua projeção de crescimento, que hoje está em 3,7%.De acordo com o economista da CNI Paulo Mol, a projeção deverá ser reduzida, pois a economia não crescerá os 3,7% hoje projetados pela CNI. Mol ressaltou que isso acontecerá, mesmo com o cenário de provável elevação da produção industrial nos meses de agosto, setembro e outubro. Ele explicou que o crescimento da produção nesses meses ocorre, habitualmente, em função da necessidade da indústria de atender a uma demanda maior no período do fim de ano.

Agencia Estado,

05 de setembro de 2006 | 18h43

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