Crescimento do desemprego fica dentro da meta e deve baixar

O crescimento da taxa de desemprego em fevereiro, para 16,3% da População Economicamente Ativa (PEA) na Grande São Paulo, ante uma taxa de 15,7% em janeiro, ficou dentro das expectativas dos técnicos da Fundação Seade e do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), que levaram em consideração o comportamento histórico do mercado de trabalho para este período do ano. "Esse comportamento de alta do desemprego já era esperado porque é natural o desemprego subir no primeiro trimestre", resumiu o coordenador de Análises de Pesquisa da Fundação Seade, Alexandre Loloian.A previsão dos técnicos das instituições é que o desemprego diminua ao longo do ano, mesmo que apresente alguma elevação em março, mais uma vez mantendo o comportamento da série histórica. "Há perspectiva de crescimento econômico, com redução do desemprego, mas ainda não sabemos em qual intensidade. Em 2004 e 2005, o desemprego caiu de forma mais acelerada do que a expansão da economia, mas ainda não é possível afirmarmos se isso foi uma mudança estrutural que se repetirá este ano", explicou o diretor técnico do Dieese, Clemente Ganz Lúcio.Além disso, a expectativa de melhora no mercado de trabalho está no fato de se manter a perspectiva de queda dos juros, da expansão dos investimentos governamentais em infra-estrutura, da continuidade do controle das contas públicas e de a inflação convergir para a meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).Ganz Lúcio espera que o novo ministro da Fazenda, Guido Mantega, dê maior ênfase à produção e ao desenvolvimento na condução da política econômica. "Esperamos que a política econômica saia de uma estrutura de controle de inflação baseada no monetarismo para uma estabilidade inflacionária assentada na produção e no investimento", declarou. Segundo ele, essa nova orientação poderia acelerar o processo de expansão do mercado de trabalho no País e, simultaneamente, gerar crescimento da renda do trabalhador.Lúcio entende que Mantega poderá implementar essa nova orientação, principalmente, por advir do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Com uma ponta de ceticismo, o diretor do Dieese afirmou, porém, não esperar "mudanças bruscas e rompantes do ministro" na condução da política econômica, sobretudo na administração monetária do País.EstabilidadeOs técnicos observaram, entretanto, que tem sido importante para o mercado de trabalho a estabilidade verificada neste início de ano no emprego industrial, após um período de crescimento do emprego no setor constatado no ano passado. "É importante que o segmento de metal-mecânica não tenha apresentado queda no nível de emprego. As oscilações negativas que vemos estão mais concentradas em setores industriais ligados a bens não-duráveis, de maior consumo", ressaltou Loloian.Demissões em fevereiroEm fevereiro, a indústria cortou cerca de 10 mil vagas na Grande São Paulo, concentrando as demissões nos ramos de vestuário e têxtil, com 5,8%; e alimentação, com 3,5%. No agregado de outras indústrias e no setor de metal-mecânica, houve, entretanto, expansão, com as respectivas altas de 1,3% e 0,8%. "O emprego industrial continua favorável e, se a indústria continua puxando a economia, isso tem rebatimento positivo sobre o emprego", disse Ganz Lúcio.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.