Crescimento do emprego brecará em 2007 e 2008, diz OCDE

Pesquisa também mostra que desemprego continuará caindo a média de 5,5%

Agencia Estado

21 de junho de 2007 | 12h47

O crescimento do emprego nos países da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) sofrerá uma desaceleração este ano e em 2008, quando será de 1,3% e 1%, respectivamente, após registrar uma taxa de 1,6% em 2006, segundo o relatório Perspectivas para o Emprego divulgado nesta terça-feira, 19.O estudo ressalta, no entanto, que o índice de desemprego continuará caindo, até atingir 5,6% este ano e 5,5% no próximo.De acordo com a evolução da economia nos diferentes países, o crescimento do emprego deve diminuir com força nos Estados Unidos (a 1,1% em 2007 e 0,6% em 2008, depois de 1,9% de 2006), mas muito menos nos outros países que fazem parte da OCDE.Para os países europeus da OCDE, o relatório projeta um avanço de 1,5% este ano e 1,2% no seguinte, contra 1,7% de 2006, enquanto nos quinze países da União Européia (antes da ampliação de 2004) seria de 1,4% em 2007 e de 1,2% em 2008.O emprego cairá em valor absoluto no Japão em 2008 devido à redução da população ativa, mas será acelerado em México (alta de 2,2% em 2007 e 2,4% em 2008), Canadá e Austrália.Em 2006, o emprego registrou um crescimento superior ao do ano anterior (alta de 1,1% para toda a OCDE), especialmente nos países Europeus.Com exceção de Espanha, Irlanda, República Tcheca e Reino Unido, que registraram um forte crescimento nos anos anteriores, o emprego na Europa cresceu mais em 2006 que em 2005.Crescimento do empregoDevido ao fato de que o crescimento do emprego superou o da população ativa na maior parte dos países da OCDE no ano passado, as taxas de desemprego diminuíram, e o número de desempregados caiu em mais de 2,5 milhões de pessoas, queda superior à de 2005.Havia 33,6 milhões de desempregados na OCDE em 2006, o que equivale a 5,9% da população ativa, contra 6,5% do ano anterior.O índice de desemprego caiu em todos os países da OCDE, exceto Hungria, Islândia, México, Nova Zelândia e Reino Unido, e se estabilizou em Irlanda e Portugal.A queda foi de pelo menos um ponto em Alemanha, Grécia, Itália, Noruega, Polônia e Eslováquia.Nos países europeus da OCDE, as taxas de desemprego deveriam cair este ano e no próximo até atingir 6,6% em 2008. Embora continuem superiores em um ponto à média da OCDE, o diferencial seria reduzido "progressivamente", segundo o relatório.Nos 15 países da União Européia, a taxa de desemprego cairá de 7,3% em 2006 (7,8% em 2005) para 6,8% este ano e 6,4% no próximo, de acordo com as previsões.Por outro lado, deve subir um pouco nos Estados Unidos (4,6% em 2007 e 4,8% em 2008) e no México (3,9% em 2007 e 3,7% em 2008). Apesar da contração do desemprego na OCDE, não foram constatadas "pressões sensíveis em alta" nas remunerações reais.RemuneraçãoA remuneração média por assalariado nas empresas subiu 0,6% em 2005 e 1,2% em 2006, uma alta "claramente inferior" ao crescimento global da produtividade do trabalho, de cerca de 1,5%. Segundo as previsões, a progressão média das remunerações reais se aceleraria progressivamente, com disparidades entre os países, até 1,4% em 2007 e 1,7% em 2008, após a contração das capacidades inutilizadas no mercado de trabalho.Nos 15 países da União Européia, a remuneração real cresceria 1,1% este ano e em 2008, após progredir 0,3% no ano passado.Em 2006, o índice caiu em Alemanha, Espanha, Itália, Luxemburgo, Holanda, Portugal e Suíça, enquanto subiu em mais de 2% em França, Grécia, Hungria, Islândia, Noruega, Polônia e República Tcheca.A OCDE prevê um aumento em todos os países europeus nos dois próximos anos em um ritmo "mais ou menos conforme o crescimento da produtividade e sob o efeito da melhora do mercado de trabalho", com uma única exceção, a Alemanha, que registrará uma redução este ano.A alta das remunerações reais se desacelerou no México em 2006 (alta de 1%, após 1,6% em 2005), uma tendência que continuará este ano (0,2%), antes de subir para 0,4% em 2008. Os autores do relatório analisaram também se a globalização aumenta a precariedade do emprego e as desigualdades nos países da OCDE.Segundo eles, apesar do impacto da globalização nos mercados trabalhistas ser "administrável", a integração econômica internacional exige que os países desenvolvidos adotem políticas a favor do crescimento e do emprego que diminuam o impacto na insegurança e as desigualdades salariais dos trabalhadores.

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