Crescimento do emprego não aponta reação, adverte IBGE

O crescimento do emprego industrial no mês de setembro (de 0,6% ante agosto) não parece muito animador para a economista Isabella Nunes, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Segundo ela, este aumento pode significar que há uma "expectativa mais favorável" dos empresários, por causa do aquecimento da atividade que costuma ocorrer no último trimestre do ano. No entanto, este movimento não aponta uma reação mais forte na ocupação, já que após 19 meses consecutivos de crescimento, houve variação zero no emprego da indústria em setembro ante igual mês do ano passado. "Apesar do aumento ante mês anterior, os dados do emprego são coerentes com o cenário de desaceleração da produção", disse. Segundo Isabella, na comparação ante igual mês do ano anterior, os setores que mais contribuíram para impedir um crescimento da ocupação foram calçados e madeira, ambos segmentos voltados para exportação e que estão sofrendo com o câmbio valorizado. Por outro lado, os segmentos que evitaram uma queda no indicador também são voltados para exportação, mas estão sendo menos prejudicados pelo câmbio, como alimentos e bebidas e meios de transporte. Queda na renda não é retrocesso A queda de 1,3% na folha de pagamento industrial em setembro ante agosto não revela qualquer retrocesso nos ganhos recentes dos trabalhadores do setor, segundo sublinhou a economista. "A folha é muito mais volátil do que o salário, porque incorpora qualquer ganho extraordinário", disse. Segundo ela, o recuo na folha ocorreu após um crescimento de 1,9% em agosto ante julho, ou seja, o aumento anterior não foi anulado. Ela destacou ainda o crescimento de 3,7% na folha ante setembro do ano passado. "Os dados da folha ante 2004 têm mostrado ganhos significativos que estão assentados em cima do controle inflacionário", disse.

Agencia Estado,

16 Novembro 2005 | 12h36

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