Pedro Bicudo
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Crescimento do mercado de carros no País será limitado pela alta de preços, diz presidente da Nissan

Empresa reclama da alta do custo das matérias-primas; ao mesmo tempo, montadora poderá exportar mais por causa do dólar valorizado

Cleide Silva, O Estado de S.Paulo

28 de outubro de 2020 | 17h34

O crescimento do mercado automotivo neste fim de ano e em especial em 2021 será limitado pela alta do custo das matérias primas e do preço dos veículos, disse nesta quarta-feira, 28, o presidente da Nissan do Brasil, Marco Silva.

Segundo ele, as empresas estão repassando os aumentos para os consumidores pois precisam recuperar parte da margem de lucro perdida no período mais agudo da pandemia da covid-19, quando fábricas e concessionárias ficaram fechadas.

“O preço do carro no Brasil vai estar alto, pois a pressão de custo é grande na indústria”, afirma o executivo. Segundo ele, no passado muitas vezes  as empresas conseguiram absorver custos por causa da competitividade, mas agora está difícil.

Silva cita a elevada ociosidade das fábricas e o aumento do custo de matérias-primas – de 35% a 40% nos últimos meses. O aço, afirma, “é um dos grandes vilões e grande preocupação do setor pois há dificuldade de abastecimento e os preços dispararam”. Ele prevê para este ano vendas totais do mercado de 1,85 a 1,9 milhão de veículos e de 2,4 milhões para 2021, dependendo de como se comportar o mercado local, a aprovação de novas reformas por parte do governo e o desenvolvimento da pandemia. Suas projeções estão em linha com a de outros executivos do setor.

Dólar ajuda na exportação

O dólar é outro componente que eleva o custo das importações de peças e produtos, mas, nesse caso, pode ser benéfico para a fabricante japonesa. “Como o preço dos nossos carros em dólar está competitivo, fomos procurados pela matriz para avaliar a exportação do Kicks (utilitário-esportivo de pequeno porte) para outros mercados na América Latina”, informa o executivo.

Atualmente, o modelo fabricado em Resende (RJ) é exportado apenas para a Argentina. Outros países da região recebem o SUV feito no México ou na Tailândia e a filial brasileira aguarda o sinal verde da corporação para a mudança.

A Nissan apresentou hoje o novo sedã Versa, modelo totalmente renovado e importado do México com muito conteúdo tecnológico, como alerta de colisão frontal, monitoramento de ponto cego, alerta de tráfego cruzado e alerta de objetos – assim como pessoas e animais – deixados no banco traseiro.

O sedã, cuja pré-venda começa no início desta noite, com promoções, tem quatro versões que custam entre R$ 73 mil e R$ 93 mil. O modelo antigo, agora chamado de V-Drive, continuará sendo feito em Resende e custa de R$ 59 mil a R$ 74,5 mil. Atéo fim do ano serão importadas cerca de 7 mil unidades do Versa. O modelo tem entre seus competidores o Toyota Yaris e o Volkswagen Nivus.

Silva afirma que o Brasil não recebeu a produção do novo carro porque, como será exportado para vários países da região e para os Estados Unidos, a matriz considerou a filial mexicana mais adequada. Segundo ele, pode ser que em dois anos a empresa faça uma reavaliação de “business case” e possa decidir por uma produção local em CKD (peças desmontadas).

Novo investimento para o Brasil

O presidente da Nissan informa ainda que em poucas semanas haverá uma reunião entre dirigentes da aliança Renault/Nissan para avaliar quais veículos serão produzidos em plataformas conjuntas entre as duas marcas no País, conforme plano global anunciado em junho. Após essa etapa, serão definidos os produtos que cada marca produzirá. A Renault tem fábrica em São José dos Pinhais (PR).

O mesmo encontro pode decidir os investimentos locais para os próximos cinco anos. As discussões sobre os novos projetos no País foram paralisadas no período em que a aliança ficou sob ameaça, após a prisão do ex-presidente global do grupo, o brasileiro Carlos Ghosn, por suspeita de fraudes, e na sequência pelas incertezas trazidas pela pandemia do coronavírus. 

 

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