Crescimento do País aumenta demanda por petróleo, diz Opep

Segundo cartel, desempenho da economia brasileira causará um dos maiores crescimentos no consumo

Jamil Chade, de O Estado de S. Paulo,

15 de abril de 2008 | 18h49

Em meio à alta nos preços de energia em todo o mundo, a Organização de Países Exportadores de Petróleo (Opep) alerta que o desempenho da economia brasileira fará com que o consumo de petróleo no País sofra um dos maiores crescimentos na América Latina e entre os emergentes em 2008. O cartel também aponta para o crescimento da produção de petróleo no País em 2008, ainda que em um volume menor do que se esperava.   Os dados sobre o Brasil fazem parte do relatório mensal da Opep divulgado nesta terça-feira, 15. No documento, a entidade anuncia uma revisão para baixo da taxa de crescimento da produção do País diante dos atrasos na produção das plataformas Roncador P-52 e P-54. Os atrasos seriam de 35 dias.   Mesmo assim, o Brasil terá um crescimento na produção neste ano de 272 mil barris por dia em comparação a 2007 e será um dos principais responsáveis pela alta na produção entre os emergentes. No total, o Brasil produziu em média 2,23 milhões de barris por dia no primeiro trimestre. O crescimento na produção brasileira será um dos motivos pelos quais o total produzido pelos países emergentes terá um aumento importante em 2008. No geral, a Opep estima que a produção de petróleo nessas economias atingirá 11,4 milhões de barris por dia.   O volume é quase mais de meio milhão de barris por dia a mais que em 2007. A Opep, porém, foi obrigada a rever para baixo essa previsão em comparação aos dados publicados no começo do ano. A entidade estimava que os emergentes produziriam 135 mil barris a mais que a atual previsão diariamente.   Além do Brasil, países asiáticos e africanos são os principais contribuidores para o crescimento da produção. No primeiro trimestre, a média de produção ficou em 11,09 milhões de barris por dia.   Na América Latina, a produção total deve ficar em 4,1 milhão de barris por dia em 2008, 293 mil barris a mais que a média de 2007. Mas a Opep previa que a alta seria maior. Há um mês, a previsão era de que a produção seria de 62 mil barris a mais por dia que os dados publicados nesta terça.   No que se refere ao consumo, a Opep destaca que o crescimento da economia fará com que o consumo de petróleo também aumente, "antecipando uma tendência que será vista em toda a América Latina". Segundo o relatório, a alta no consumo na região deve ser de 2% e 2008, acima dos 1,4% da média mundial. No primeiro trimestre, a alta no consumo foi de 3,2%, contra uma queda de 0,3% nos Estados Unidos.   Volatilidade   A entidade destaca que a volatilidade dos preços do petróleo no mundo ocorre diante das incertezas sobre o crescimento da economia mundial. O cartel rejeita a tese de que esteja limitando a produção para obrigar uma alta nos preços, que ontem atingiram níveis recordes.   Segundo o relatório, os países da Opep estão fornecendo combustível em volumes suficientes para o mundo e a recessão nos Estados Unidos pode até mesmo reduzir o consumo no segundo trimestre. A mensagem é clara: não haverá um esforço por maior produção nesses países que formam parte do cartel, mesmo com o barril a US$ 113.   No total, os 13 países do grupo produzem mais de 32 milhões de barris por dia, dois quintos do fornecimento mundial. "Isso é suficiente para suprir o crescimento da demanda e contribuir para a formação de estoques", afirma o documento.   A demanda mundial cairia em 1,4 milhões de barris por dia para um total de 85,7 milhões no segundo trimestre. Mas a recessão americana pode fazer esses números serem ainda menores. Para a média do ano, porém, a taxa seria de um crescimento de 1,4% e relação a 2007, previsão que se mantém estável em comparação às projeções feitas há um mês.

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