Crescimento do País ocorre de forma gradual, afirma Tombini

Presidente do BC também lembrou que a inflação segue desconfortável, mas recua e isso deve recuperar a confiança

Anne Warth e Renata Veríssimo, da Agência Estado,

24 de setembro de 2013 | 13h00

O presidente do Banco Central (BC), Alexandre Tombini, afirmou que o crescimento econômico do País tem se materializado de forma gradual, mas a percepção dos agentes está mais pessimista que a realidade.

Em audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, Tombini voltou a chamar a atenção para o PIB de 6% em termos anualizados e a alta de 3,6% nos investimentos. Para ele, os fatores que sustentam a demanda brasileira continuam presentes, tais como o emprego e o crédito, e as perspectivas são de um crescimento maior em 2014, pois a depreciação do real frente ao dólar deve favorecer essa dinâmica.

Segundo ele, a indústria apresenta uma retomada gradual e as condições gerais de competitividade do setor melhoraram. Já o setor de serviços continua a se expandir, embora em um ritmo menos intenso do que em anos anteriores, admitiu Tombini.

O setor agrícola, por sua vez, continua a registrar recordes, e a previsão é que a safra deste ano cresça 15,5% em relação ao ano passado. "O crescimento econômico brasileiro tem se materializado de forma gradual", reiterou Tombini.

Sobre a crise global, o presidente do BC afirmou que as economias emergentes têm sido as mais afetadas, mas destacou que o Brasil se preparou para enfrentá-la. "Temos bons fundamentos macroeconômicos e temos reservas", disse, acrescentando que a autoridade monetária está adotando providências necessárias para assegurar estabilidade da economia e dos mercados financeiros.

Inflação. Tombini também afirmou que o arrefecimento da inflação contribuirá para fortalecer a confiança dos empresários e consumidores brasileiros. Segundo ele, essa é uma condição necessária para a consolidação do crescimento para os próximos semestres em bases sustentáveis.

Tombini lembrou que choques externos e internos no segmento agrícola, entre outros fatores, pressionaram a inflação no segundo semestre do ano passado e no início deste ano. Por essa razão, o BC começou a agir, alterando sua comunicação e elevando a taxa básica de juros desde abril. Segundo ele, apesar de ainda estar em "patamares desconfortáveis", a inflação acumulada em 12 meses já retomou uma tendência de declínio, depois de atingir um pico em junho.

Ele acrescentou que a desvalorização e a volatilidade da taxa de câmbio, no curto prazo, constituem mais uma pressão inflacionária. Mas, no médio e longo prazo, esse movimento deve beneficiar a economia. "O nosso objetivo é uma meta de inflação de 4,5%. Não existe outro objetivo para o BC", afirmou.

Câmbio. Ao fazer um balanço da atuação da instituição no mercado de câmbio, o presidente do BC afirmou que os leilões de swap cambial têm reduzido a volatilidade do real e levou a uma apreciação da nossa moeda na casa de 10%. "A situação de mercado está mais calma a despeito das pendências que ainda existem no mercado internacional", avaliou.

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