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Crescimento do PIB se deu em "bases frágeis", avalia o Iedi

O crescimento econômico no primeiro semestre de 2006 se desenvolveu sob bases frágeis, avalia o Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi) em documento distribuído nesta quinta-feira para comentar o resultado do Produto Interno Bruto (PIB) de R$ 508,7 bilhões no segundo trimestre de 2006. De acordo com o "Análise Iedi", o País carece de uma expansão mais expressiva dos investimentos pelo setor privado, fator que mantém a economia brasileira como a "lanterninha" em termos de crescimento no âmbito dos países emergentes. "Essa expansão, por sua vez, requereria condições macroeconômicas e sistêmicas mais favoráveis, dentre as quais: juros menores; câmbio mais competitivo às exportações; menor carga tributária sobre o setor produtivo; e retomada do investimento público em infra-estrutura", sugere o documento.O Iedi lembra que três componentes da demanda interna contribuíram positivamente para o crescimento no segundo trimestre: consumo das famílias, com alta de 4,2%; seguido pelo consumo do governo e pela Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), ambos com contribuições de 1,5%. Por outro lado, o setor externo contribuiu negativamente (-0,85%), pelo segundo trimestre consecutivo.Salienta também que a FBCF "continua bem aquém do desejável para a economia brasileira", apesar de ter contribuído positivamente para a expansão do PIB nos primeiros meses de 2006. Mesmo sendo o patamar atual da relação FBCF/PIB de 20,1% o maior para o segundo trimestre desde 1997, "é insuficiente para garantir que a economia brasileira cresça de forma sustentada num ritmo superior a 5% ao ano". A garantia de um crescimento de 5% ao ano, observa o Iedi, viria somente com uma taxa de investimento em torno de 25% do PIB.O documento analisa que houve uma mudança no perfil do crescimento em relação aos anos anteriores, "com a fonte de dinamismo se deslocando da demanda externa para a demanda interna". "Essa mudança está associada a diversos fatores, dentre os quais: a apreciação cambial; o aumento da massa de rendimentos da população e do crédito, que favoreceu a expansão do consumo; a expansão das despesas correntes do governo", argumentou o instituto.Também é enfatizado o fato de a contribuição do setor externo não ser mais negativa graças a alta dos preços das várias commodities com participação relevante na nossa pauta de exportação (como minério de ferro e açúcar), atenuando o efeito negativo da apreciação cambial sobre a receita em reais dos exportadores.O desempenho favorável do consumo das famílias, correspondente a 55,5% do PIB no segundo trimestre, foi considerado um resultado positivo pelo Iedi. O instituto avaliou, porém, que "esse componente da demanda agregada tem uma capacidade limitada de alavancar o crescimento do PIB". "Somente o consumo ancorado na expansão do crédito constitui um gasto autônomo e seu potencial de crescimento depende do grau de endividamento das famílias, que cresceu muito desde 2004, e do crescimento da renda, que já está perdendo fôlego", sustentou o documento, alegando que tal capacidade "pode estar se esgotando".Ao mesmo tempo, usou a mesma observação sobre o consumo do governo: "dada a meta de superávit fiscal e o maior crescimento das despesas em relação às receitas no primeiro semestre, uma contenção dos gastos parece inevitável na segunda metade do ano."

Agencia Estado,

28 de setembro de 2006 | 18h01

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