Crescimento do PIB vem dentro do esperado, mas não empolga

Alguns analistas, inclusive, estão revisando para baixo a perspectiva de crescimento para o País em 2008

Agência Estado,

12 de setembro de 2007 | 16h14

Apesar de o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) no segundo trimestre ter vindo dentro do esperado pelos analistas, o resultado não chegou a empolgar. O economista Alberto Ramos, do banco Goldman Sachs, avalia que o crescimento de 5,40%, na comparação com o mesmo trimestre de 2006, e de 0,8% em relação ao primeiro trimestre, mostra que o crescimento econômico continua se acelerando, mas num ritmo inferior ao esperado de um país com o potencial do Brasil.   Veja também: Aumento da renda e do crédito puxam consumo das famílias  PIB do segundo trimestre tem a maior alta desde 2004  A medida do crescimento do País      "O crescimento está se firmando - de 3,7% no final de 2006 para 4,8% nos doze meses encerrados em junho de 2007 - mas ainda está aquém do esperado de uma economia com potencial econômico significativo que tem se beneficiado de uma conjuntura externa favorável única desde 2003", disse Ramos em nota para clientes. "A ausência de genuínas reformas (estruturais e micro) e a dominância fiscal estão provavelmente ainda impedindo que economia atinja seu potencial completo."   O analista disse que a "carga tributária extremamente pesada para um país com esse nível de desenvolvimento, uma carga de dívida pública ainda muito elevada, uma baixa taxa de investimento em relação ao PIB, uma pequena abertura para o comércio externo, e outros impedimentos micro", continuam impedindo que o crescimento alcance seu potencial completo e se acelere sustentadamente a um novo patamar, como por exemplo, de 5% ou 6% ao ano.   Um dos resultados decepcionantes dentro do PIB foi a fraca taxa de expansão da agropecuária no segundo trimestre, destacou a economista da Hedging-Griffo Asset Management, Fernanda Batolla. "O setor cresceu 0,20% na comparação com o mesmo período do ano passado, influenciado pela queda estimada de 15% na colheita de café", diz Fernanda, que projetava um crescimento de 9,00% para a agropecuária entre abril e junho na confronto com o mesmo período do ano passado. Trata-se de um número, que segundo a economista da Hedging-Griffo, não condiz com a realidade do setor agropecuário, que tem mostrados números fortes.   Revisão para baixo   Alguns analistas, inclusive, estão revisando para baixo a perspectiva de crescimento para o País em 2008, influenciados pela crise no mercado externo. Exemplo disso é a MB Associados, que reduziu sua projeção de 4,80% para 4,50%. De acordo com o economista Sérgio Vale, o desempenho da economia no próximo ano será afetado pela turbulência na economia mundial e também pela redução da taxa básica de juros no mercado interno.   Para o restante do ano, a economista da Rosenberg & Associados, Thaís Zara, não descartou uma desaceleração da expansão do PIB em relação aos resultados dos próximos trimestres. "Isso pode ocorrer por conta da base de comparação elevada do ano passado", explicou.   O economista sênior do banco Dresdner Kleinwort, Nuno Camara, é um dos que reduziu sua previsão para o crescimento econômico deste ano - de 4,8% para 4,6%. "Está ficando cada vez mais claro que a probabilidade do PIB neste ano ficar mais próximo de 4,5% do que de 5% ou mais - o que seria bem acima do potencial da economia - aumentou significativamente", disse . "Por outro lado, o Banco Central provavelmente continuará cortando os juros."   O economista-chefe da Petros Fundação de Seguridade Social, Carlos Thadeu de Freitas Filho, também revisou a estimativa de crescimento deste ano, que era de 5%. "Agora, um porcentual mais próximo de 4,50% é mais factível", considerou.   Vale avalia, porém, que os efeitos da crise não afetaram e nem devem afetar o desempenho da economia neste ano. Tanto que a MB Associados trabalha, com base na expansão da economia no segundo trimestre, com um crescimento de 5% em 2007.

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