Crescimento dos serviços não dá alento à economia

Com peso de cerca de 2/3 no Produto Interno Bruto (PIB), o setor de serviços é determinante para o crescimento da economia - e qualquer desaceleração nessa área, como a que se registrou entre 2012 e 2013, reforça as expectativas de um desaquecimento maior da atividade. Daí a preocupação com a receita de serviços ter evoluído apenas 8,5% nominais no ano passado, comparativamente aos 10% de 2012, dados revelados pela Pesquisa Mensal de Serviços do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O Estado de S.Paulo

21 de fevereiro de 2014 | 03h22

É mais uma indicação de que a economia segue rumo inquietante, com inflação muito acima do centro da meta, de 4,5% ao ano, e taxa de crescimento anêmica.

Dos cinco blocos de atividades da pesquisa, o pior comportamento, na comparação entre 2012 e 2013, foi o do "outros serviços" (atividades imobiliárias, manutenção e reparação, auxiliares financeiros e agrícolas, serviços de esgoto e de coleta), cuja receita evoluiu em porcentual idêntico ao da inflação de 5,9%. Seguem-se os serviços de informação e comunicação (+6,9%), um segmento relevante, pois contempla a área de tecnologia e as agências noticiosas, ou seja, é representativo dos setores mais dinâmicos da atividade.

Em contraste, os maiores crescimentos ocorreram nos itens serviços prestados às famílias (+10,2%) e transportes, serviços auxiliares de transportes e correio. Este, na comparação entre os meses de dezembro de 2012 e de 2013, teve o maior crescimento (+11,5%), o que se explica pelo aumento sazonal da demanda.

Com poucas exceções, a atividade econômica está em queda desde o semestre passado. Nos serviços financeiros, por exemplo, os prejuízos proporcionados pelos títulos públicos aos aplicadores e o recuo das cotações das ações negociadas em Bolsa afastaram os investidores.

O setor de serviços depende de desemprego baixo e de aumento da renda dos trabalhadores. Esta ainda registra evolução positiva, mas o ritmo caiu. A inflação dos serviços (de 8,7% ao ano, nos últimos anos) é inimiga de qualquer recuperação real. Entre 2012 e 2013, houve queda real de 0,2% na receita de serviços.

Um desaquecimento rápido do setor parece improvável. Mas os serviços não são uma peça isolada na economia. Num ano eleitoral, maiores gastos com serviços poderão ser um paliativo até que, em 2015, aconteça um grande ajuste de contas públicas - e então o mais provável é que até os serviços sejam muito afetados.

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