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Crescimento é forte no mercado brasileiro

Huawei e ZTE roubam espaço das fornecedoras tradicionais dos Estados Unidos e da Europa

Renato Cruz, O Estadao de S.Paulo

09 de maio de 2009 | 00h00

Os fabricantes chineses de equipamentos de telecomunicações encontraram nas redes de terceira geração da telefonia celular (3G) uma oportunidade de crescimento e consolidação no mercado brasileiro. A Huawei fechou contratos de infraestrutura com praticamente todas as operadoras e terminou o ano passado com um faturamento de US$ 1 bilhão no País, praticamente o dobro do que havia faturado em 2007.A ZTE, concorrente chinesa da Huawei, também tem planos agressivos para o Brasil. Em março, conseguiu uma linha de crédito de US$ 15 bilhões do Banco de Desenvolvimento da China, num contrato de cinco anos, e vai aplicar US$ 2 bilhões no Brasil, financiando clientes locais. "O aperto econômico veio beneficiar nossa estratégia de baixo custo", afirma Eric Zhou Hongfeng, diretor da ZTE para a América Latina.Foi-se o tempo em que os equipamentos chineses eram vistos com desconfiança. Hoje, os fabricantes da China brigam de igual para igual com fornecedores tradicionais americanos, europeus e japoneses, com a vantagem da escala trazida pelo mercado chinês.A crise trouxe a necessidade de as grandes operadoras buscarem alternativas para fazer mais com menos investimento, o que se tornou uma oportunidade para os fabricantes chineses, que estão há menos tempo no mercado.O diretor de Tecnologia da Huawei, Marcelo Motta, não gosta de falar em alternativa de baixo custo. "Em alguns casos, somos até mais caros que outros fabricantes", diz o executivo. "A diferença da Huawei está na qualidade da tecnologia e na agilidade de implementação. Quando chegamos ao mercado brasileiro, os preços estavam mesmo inflacionados, porque a competição era menor. Mas hoje já não é mais assim."A escala do mercado chinês chega a ser difícil de imaginar quando comparada à realidade mundial. Somente a China Mobile, maior operadora daquele país, tem 477 milhões de clientes de telefonia celular, mais que o triplo de todo o mercado brasileiro. O faturamento da subsidiária brasileira da ZTE em 2008 foi três vezes maior que o do ano anterior."Este ano, por causa da crise, deve ter um crescimento de 50% da receita", afirma Eliandro Ávila, presidente da ZTE do Brasil. A empresa emprega 300 funcionários no País e seus maiores contratos foram com a Vivo e a Brasil Telecom, comprada no ano passado pela Oi. A empresa, que chegou ao País em 2003, vendeu cerca de 2 milhões de aparelhos celulares e modems (equipamento de banda larga) 3G.A Huawei comemorou a venda no Brasil de mais de 1 milhão de modems 3G. "Setenta por cento dos modems 3G vendidos no Brasil foram fabricados pela Huawei", garante Luis Fonseca, diretor de Terminais da empresa. Em março, a empresa fechou um acordo para fornecer à Claro um celular 3G batizado de Mistery, ampliando sua atuação no País. A empresa também fornece um modelo para a CTBC, operadora da região do Triângulo Mineiro.A Huawei chegou ao Brasil em 1999, mas começou mesmo a ganhar espaço em 2006, depois de conseguir um contrato para instalar a rede da Vivo com tecnologia GSM (de segunda geração) em cinco Estados do País. "Conseguimos instalar essa rede em tempo recorde, o que mostrou nossa força", diz Motta. Ele afirma que, em 2002, a Huawei era a décima do País em infraestrutura móvel e hoje ocupa o segundo lugar.

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