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Crescimento é rebaixado, mas inflação é mantida

Cenário: Fábio Graner e Fernando Nakagawa

O Estado de S.Paulo

25 de outubro de 2011 | 03h05

Há um contrassenso no mercado. O sistema financeiro acompanha o governo na redução das projeções de crescimento econômico para 2011 e 2012, mas não reduz as perspectivas de inflação para o ano que vem.

No início do ano, boa parte dos economistas apontava o sobreaquecimento econômico como o principal determinante para a alta da inflação no Brasil. Dessa forma, em tese, era de se esperar que uma perspectiva cada vez mais pessimista para o desempenho do PIB brasileiro botasse na mesma direção as expectativas inflacionárias. Tal movimento facilitaria a vida do Banco Central, no esforço de zelar para que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) volte aos 4,5% em 2012.

O fato de as projeções de inflação não caírem indica que o mercado ainda resiste à política do BC. Pelo lado do governo, há grande confiança na estratégia em curso e avaliações de que o mercado está, se não errado, enxergando menos do que deveria o quadro externo e interno da economia brasileira.

Segundo uma fonte governamental, a desaceleração do Brasil de um crescimento de 7,5% para a faixa de 3% neste ano é muito grande e prova que a demanda aquecida, embora tenha impacto, não é o principal fator a explicar a alta do IPCA, que deve ser entendida muito mais por conta dos choques de preços, como o de commodities. "O mercado não está olhando todas as variáveis", disse uma fonte.

A autoridade monetária, apesar do IPCA estar em mais de 7% no acumulado em 12 meses, já promoveu duas reduções na taxa básica de juros, justificando que a crise externa deverá frear ainda mais a economia brasileira - o que ajudará a reduzir ainda mais os preços. Esse movimento mais "ousado" do BC, que busca antecipar possíveis impactos da situação internacional no Brasil, é um dos fatores que explicam o quadro de desconfiança. Muitos analistas têm dúvidas sobre o tamanho da crise externa e seu impacto no Brasil. Isso gera o temor de que a desinflação provocada pelo exterior não seja suficiente para derrubar o IPCA para 4,5%.

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