Gabriela Biló/Estadão
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‘Crescimento é robusto, mas ainda lento’

Alta de 0,49% em novembro reforça a percepção de analistas de que a economia está se recuperando e pode crescer até 3% neste ano

Entrevista com

Alexandre Schwartsman, ex-diretor do BC

Fabrício de Castro, O Estado de S.Paulo

16 de janeiro de 2018 | 05h00

BRASÍLIA – Mais do que o risco de a reforma da Previdência não passar agora, a corrida eleitoral de 2018 pode prejudicar a retomada da economia brasileira, na avaliação do economista Alexandre Schwartsman, ex-diretor do Banco Central. “A variável política não pode ser ignorada. Há um grau de incerteza razoável.” Ainda assim, ele afirma que o Índice de Atividade do Banco Central (IBC-Br) de novembro, que subiu 0,49%, confirma que a economia está em processo de recuperação. De acordo com Schwartsman, o crescimento é “robusto”, embora lento.

Temos motivos para comemorar o IBC-Br de novembro?

Se for apenas pelos números, obviamente que sim. Um crescimento de meio por cento é forte. O resultado é o sinal de que a recuperação está clara. Na série dessazonalizada, considerando a média móvel de três meses, houve resultado positivo em 10 dos últimos 11 meses (em novembro, a média móvel trimestral subiu 0,38% ante outubro). Esse crescimento é robusto e está acontecendo. Por outro lado, não é parrudo. A recuperação é bastante sólida, mas ainda lenta.

E o que vem pela frente?

Olhando para esses números, para o mercado de trabalho e para a redução dos juros pelo BC, se não tivermos nenhuma turbulência política vai ser possível emplacar crescimento de 3,0% em 2018. Dá para comemorar, mas não dá para ficar eufórico. O ritmo de crescimento, nas minhas contas, é mais do que o potencial do Brasil, que é baixo. Mas como estamos saindo de uma situação em que o hiato de produto (diferença entre o PIB corrente e o potencial) é muito negativo, nesse ritmo vamos continuar com o hiato negativo por um bom tempo.

Se a reforma da Previdência não passar este ano, isso pode prejudicar o crescimento projetado para 2019?

Não necessariamente. Ainda que a reforma não seja aprovada este ano, o peso da eleição será maior. O problema é que, ao não aprovar a reforma agora, empurramos o fardo para o próximo presidente. Passa a ser crescente a conveniência de eleger alguém comprometido com a continuação das reformas. E se forem eleitas pessoas sem esse compromisso, o jogo ficará mais complicado em 2019.

Nesse caso, o 2,8% de crescimento estimado para 2019, conforme o Relatório de Mercado Focus, ficaria comprometido.

O próprio ano de 2018 ficaria comprometido. Com um candidato sem compromisso reformista, veremos turbulência, dólar para cima, dificuldades do BC em manter juros baixos e o risco país em crescimento. Tudo isso joga contra a partir de agora. A variável política não pode ser ignorada. Há um grau de incerteza razoável.

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