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AFP PHOTO / GREG BAKER
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Crescimento econômico da China parece forte. Talvez forte demais

Indícios sugerem que houve mesmo uma aceleração no ano anterior, o que pode dar ao governo o espaço de que necessita para fazer frente neste ano ao acúmulo de sérios problemas financeiros, ambientais e sociais 

Keith Bradsher, The New York Times

18 de janeiro de 2018 | 20h12

O ritmo de crescimento da economia chinesa acelerou-se no ano passado pela primeira vez em sete anos, com exportações, construções e gastos em consumo subindo fortemente. Pelo menos, é o que diz o governo.

Na verdade, ninguém sabe bem qual é esse crescimento. Mas vários indícios sugerem que houve mesmo uma aceleração no ano anterior, o que pode dar ao governo o espaço de que necessita para fazer frente neste ano ao acúmulo de sérios problemas financeiros, ambientais e sociais. 

Avaliar o tamanho e a saúde da segunda maior economia do planeta é, na melhor das hipóteses, difícil. Os números oficiais são implausivelmente estáveis. Funcionários de regiões remotas admitem que suas estatísticas têm erros. Igualmente, analistas do exterior que examinaram os dados chegaram a resultados diferentes – em geral, mais fracos. 

O Birô Nacional de Estatísticas chinês anunciou que a economia cresceu 6,9% no último ano, um leve aumento em relação aos 6,7% de 2016, quebrando um ciclo de desaceleração que começou em 2011. No quarto trimestre de 2017, segundo o birô, o crescimento foi de 6,8% em relação a um ano atrás. 

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O fortalecimento das exportações, das vendas no varejo e do mercado imobiliário ajudou a incentivar o crescimento, deixando a China em melhor posição para enfrentar problemas que incluem, entreoutros, um forte crescimento da dívida e uma severa poluição ambiental. 

Mas esse crescimento saiu caro: tomar mais empréstimos desencadeou avaliações negativas por parte de agências de classificação de risco; a poluição do ar, água e solo piorou; e dezenas de milhões de trabalhadores que foram trabalhar em grandes cidades têm de deixar os filhos nas cidades de origem, o que agravou problemas sociais. O presidente Xi Jinping afirmou durante o 19º Congresso do Partido Comunista, em outubro, que para solucionar alguns desses problemas crônicos o país deve parar de der ênfase ao máximo crescimento econômico a qualquer custo.

Os índices anuais de crescimento da China há muito estavam estáveis. Mas os números do quarto trimestre são supeitosamente otimistas, diferentemente do crescimen to em igual período de muitos outros países. 

Uma das principais razões é a política. Funcionários locais são com frequência pressionados a cumprir metas pelo governo central. Ao menor sinal de enfraquecimento econômico, eles costumam aumentar os gastos para estabilizar a produção. 

Cada vez mais, a China vem admitindo falhas em seus números, particularmente em dados provinciais. A região da Mongólia Interior revelou neste mês que dois quintos da produção industrial anunciada em 2016 não existem. Um ano atrás, a Província de Liaoning, no nordeste da China, admitiu que turbinou as estatísticas oficiais de crescimento de 2011 a 2014.  

A metrópole de Tianjin postou brevemente em um de seus sites na semana passada que seus dados anteriores estavam inflados. O post foi rapidamente deletado. Ning Jizhe, diretor do Birô Nacional de Estatísticas, disse numa entrevista coletiva em Pequim que tem havido discrepâncias entre dados provinciais e nacionais, mas que a diferença está diminuindo. “Dados locais não vão abalar a credibilidade das estatísticas nacionais”, afirmou. 

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As interpretações podem também funcionar de outro modo. Economistas citam evidências de que a China subestima os dados do crescimento durante períodos de boom para podr minimizar números de períodos fracos. De qualquer modo, economistas de fora que procuram calcular o crescimento real da China costumam chegar a números mais baixos. 

The Conference Board, organização sem fins lucrativos de análise e pesquisa com sede em Nova York, considerou acurados dados da agricultura e da indústria da construção chinesa e de serviços  como transporte. Em seguida, ajustou os dados oficiais sobre irregularidades na produção industrial e de serviços mais difíceis de verificar, como assistência à saúde. Os resultados mostram que o crescimento chinês é menor que o anunciado, particularmente em anos fracos. 

Os estudos de The Conference Board sugerem que o crescimento atual, embora pequeno, é real. Mas a organização adverte que esse crescimeno deve muito à contratação de empréstimos, tomados apesar do enorme acúmulo da dívida de anos anteriores.

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“Acreditamos que a recuperação econômica seja real”, disse Yuan Gao, economista do escritório de TheConference Board emPequim. “Nossa preocupação é que muito desse crescimento decorra de aumento de dívida.”

Diana Choyleva, economista do Enodo Economics em Londres, também apresenta números que ficam abaixo dos resultados oficiais. 

Vários economistas, entre eles Choileva, acreditam que funcionários chineses subestimam o aumento dos preços no país. Isso leva a superstimar o crescimento.

As estatísticas chinesas vão além de simples interferências do governo. A economia do país é vasta e está em rápida transformação. O governo procura chegar  ao nível de anos de alto crescimento e modernizar a coleta de dados.    

“Dizer que eles mentem ou não mentem é simplificar as coisas”, afirmou Pauline Loong, fundadora e diretora a Asia-analytica, empresa de consultoria de Hong Kong especializada em China continental. “Eles definem seus dados de modo diferente, e vão mudando as definições.”/Tradução de Roberto Muniz 

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