Crescimento global em 2006 será de 5%, diz FMI

O FMI apontou que a economia mundial irá crescer cerca de 5% este ano e em 2007, a maior expansão em quatro anos desde o início da década de 1970. "A expansão global foi generalizada no primeiro semestre de 2006, com a atividade na maior parte das regiões atingindo ou excedendo as expectativas", segundo o relatório "Perspectivas Econômicas Mundiais", divulgado na quarta-feira, em antecipação ao encontro anual do Fundo, neste fim de semana.A projeção para a expansão em 2006 da economia mundial, que consta no relatório, é de 5,1%; em 2007, o crescimento esperado é de 4,9%. Ambas as projeções estão 0,2 ponto percentual acima das estimativas feitas em abril pelo Fundo. Em 2005, a economia mundial cresceu 4,9%. A revisão em alta das projeções do FMI para a expansão mundial em 2006 e 2007 está, em grande parte, baseada na expectativa de crescimento sustentado na China e em outros países em desenvolvimento, segundo o relatório. A revisão foi feita apesar da previsão de desaceleração nos EUA, na União Européia e no Japão e da recente apreciação dos preços do petróleo e dos metais. O FMI ponderou que as projeções de expansão de 5,1% da economia global em 2006 e de 4,9% em 2007 consideram um cenário de controle inflacionário, de apenas "modesto" novo aperto monetário pelos maiores bancos centrais. O Fed "enfrenta uma situação difícil, de elevação da inflação em uma economia em desaceleração", disse o Fundo. Outros riscos apontados às suas projeções são o petróleo e um esfriamento muito acelerado do mercado imobiliário.O FMI disse que o consumo e os investimentos imobiliário devem cair na esteira da desaceleração do setor imobiliário, enquanto os investimentos das empresas devem subir, com base nos fortes lucros e na limitada capacidade ociosa. "Os riscos são, entretanto, para baixo", disse o fundo. Apesar da recente desaceleração da atividade econômica de modo geral, o FMI diz que as pressões inflacionárias tem se mantido em alta.Economia americanaO crescimento dos Estados Unidos foi projetado em 3,4% para este ano e em 2,9% para o próximo. No relatório de abril, o FMI havia previsto a mesma expansão para 2006, de 3,4%; mas projeção maior em 2007, de 3,3%.A inflação americana completará três anos de alta em 2006, chegando a 3,6%, segundo previsão do relatório. Deverá diminuir para 2,9% em 2007, mas continuará superior à de 2004. As pressões vêm não somente do petróleo, mas também do estreitamento da capacidade ociosa.O Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos, manteve os juros na reunião de agosto, mas poderá ser levado a um novo aumento para conter o avanço da inflação. Novos aumentos poderão ocorrer também na Europa e no Japão.Caso os aumentos ocorrerem, haverá pressão sobre o câmbio, que tenderá a se desvalorizar nos países latino-americanos, gerando pressões inflacionárias na região. Quanto mais lenta for a resposta dos bancos centrais, maior será, mais tarde, o custo do ajuste necessário.Maiores crescimentosA China e a Índia são os países que mais deverão crescer na avaliação do FMI em 2006 e 2007. A instituição prevê expansão de 10% para a China em 2006 e 2007, aumento de 0,5 ponto percentual e 0,1 ponto percentual das projeções feitas no relatório anterior, em abril. O FMI também revisou em alta as previsões de crescimento na Índia, para 8,3% em 2006 (1 ponto percentual acima da previsão de abril) e para 7,3% em 2007 (0,3 ponto percentual acima da estimativa anterior)A expansão européia também deverá desacelerar, passando de 2,4% para 2%, assim como a japonesa (de 2,7% para 2,1%). A maior parte da Ásia continuará em expansão acelerada. A economia chinesa deverá expandir-se 10% em cada um dos dois anos e a da Índia, 8,3% e 7,3%.A expansão na zona do Euro também deverá desacelerar, passando de 2,4% em 2006 para 2% em 2007. O crescimento para a zona do Euro divulgado ontem é 0,4 ponto percentual superior ao estimado em abril e 0,1 ponto percentual superior ao previsto no relatório anterior. Na União Européia, o FMI prevê expansão de 2,8% e, 2006 e em 2,4% em 2007, 0,4 ponto percentual e 0,1 ponto percentual acima das previsões de abril. A economia japonesa deverá crescer 2,7% em 2006 e 2,1% em 2007, 0,1 ponto percentual abaixo do previsto em abril e 0,1 ponto percentual acima do estimado em abril.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.