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Crescimento industrial fica para 2018, diz CNI

Robson Andrade avalia que 2017 é o ano para semear, e que retorno do crescimento só acontecerá no ano seguinte

Andrei Netto e Luci Ribeiro, O Estado de S.Paulo

19 de outubro de 2016 | 09h29

TÓQUIO - A volta do crescimento da indústria no Brasil não se dará antes de 2018. Essa é a avaliação do presidente da Confederação Nacional da Indústria, Robson Andrade, que acompanhou ontem a visita do presidente Michel Temer a Tóquio, no Japão. 

Para o líder empresarial, o retorno do crescimento é moroso pela necessidade de se construir um "ambiente propício". "Essa recuperação não é imediata", entende. "O crescimento da indústria depende, além do otimismo que retornou e está retornando para o empresariado - o que já é importante -, do aumento do mercado interno e das possibilidades de exportações." 

Ainda segundo Andrade, a demanda interna precisa ser reaquecida, ao mesmo tempo em que o governo precisa retomar as negociações de acordos comerciais que estimulem as vendas ao exterior. "As exportações dependem muito dos acordos internacionais que o Brasil está correndo atrás para fazer. E o mercado interno depende de confiança que está sendo readquirida, de investimentos, de geração de emprego", diz. "Eu acho que 2016 nós estabilizamos, paramos de perder. Acho que 2017 vai ser um ano em que vamos começar a plantar para recuperar, mas eu acho que o crescimento da indústria mesmo é 2018."

Queda na confiança. Depois de cinco meses consecutivos de crescimento, a confiança do empresário caiu no mês de outubro, segundo a CNI. Na comparação com setembro, o Índice de Confiança do Empresário Industrial (Icei) recuou 1,4 ponto, registrando 52,3 pontos em outubro. Mesmo com a queda, o indicador continua acima da linha divisória dos 50 pontos que separa o otimismo do pessimismo. Os indicadores da pesquisa variam de zero a cem pontos. Quando estão abaixo de 50, indicam falta de confiança.

"O recuo do Icei foi pequeno, mas acende um sinal de alerta para a recuperação da economia", disse em nota o gerente executivo de Política Econômica da CNI, Flávio Castelo Branco. 

De acordo com o levantamento, a confiança diminuiu em todos os portes de empresas. Pequenas e médias indústrias tiveram a maior queda. Nas pequenas, o Icei caiu de 50,5 pontos em setembro para 48,7 pontos em outubro. Nas médias, o indicador recuou de 52,9 pontos para 51,0 pontos. Nas grandes indústrias, o índice passou de 55,7 pontos para 54,6 pontos.  

Segundo o estudo, a queda do Icei em outubro se deve, principalmente, a uma reavaliação das expectativas em relação ao desempenho da economia e das empresas nos próximos seis meses. O indicador de expectativas caiu 1,9 ponto em relação a setembro e ficou em 56,8 pontos. Mesmo estando otimistas quanto ao futuro, os empresários ainda veem piora na situação atual das empresas e da economia. O índice de condições atuais foi de 43,3 pontos em outubro, contra 44 pontos em setembro, mantendo-se abaixo dos 50 pontos. 

Para Castelo Branco, os dados do Icei mostram que os indicadores negativos da situação atual das empresas e da economia contaminaram a trajetória positiva das expectativas. "Isso reflete a dificuldade da indústria e da economia em engatar um ciclo de recuperação", disse o economista. "O desemprego alto e a dificuldade de financiamento fazem com que o consumidor fique cauteloso, e isso se reflete nos investimentos do comércio e da indústria", acrescentou.

Esta edição da pesquisa ouviu 3.048 empresas em todo o País entre os dias 3 e 14 de outubro. Dessas, 1.198 são pequenas, 1.152 são médias e 698 são de grande porte.

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