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Crescimento no 3º trimestre está próximo a 6%, diz Mantega

Ministro afirma que ritmo de expansão só não vai se manter em razão da crise, mas diz que País sofre menos

Nélia Marquez e Leonencio Nossa, da Agência Estado,

26 de novembro de 2008 | 18h29

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse nesta quarta-feira, 26, durante exposição em reunião com movimentos sociais no Palácio do Planalto, que o Produto Interno Bruto (PIB) no terceiro trimestre deste ano, que deverá ser divulgado nos próximos dias, deverá apresentar um crescimento próximo a 6%.  Veja também:De olho nos sintomas da crise econômica  Lições de 29Como o mundo reage à crise  Dicionário da crise  "No primeiro semestre, estávamos crescendo a 5,9%. No segundo trimestre, 6,1% ao ano. No terceiro trimestre, crescemos algo próximo a 6%, uma marca muito superior à média histórica", informou o ministro. Segundo ele, a trajetória de crescimento do PIB só não deverá se manter por conta da crise financeira internacional. O ministro reafirmou a disposição do governo brasileiro em adotar novas medidas para evitar a redução do nível da atividade econômica no Brasil. "Se novas medidas forem tomadas - e nós estamos dispostos a tomar essas medidas, aumentando os investimentos, diminuindo o custo financeiro, que é fundamental, e reduzindo tributos -, nós garantimos o crescimento do país", afirmou. E prosseguiu: "Com essas medidas, poderemos assegurar um crescimento do PIB em torno de 4% em 2009".  Para ele, é "perfeitamente possível manter o ciclo de crescimento" desde que a sociedade brasileira esteja mobilizada e os governos federal e estaduais estejam motivados. O ministro destacou que o sistema financeiro brasileiro é um dos mais sólidos e menos exposto à crise financeira mundial por conta de três fatores: menor alavancagem (relação entre os valores emprestados e o patrimônio da instituição), baixa inadimplência, grandes bancos públicos fortes. Preparação Mantega afirmou que o Brasil é, entre os países emergentes, o que menos tem sofrido impacto da crise financeira mundial. "O Brasil demonstrou estar melhor preparado para este tipo de problema causado por esta crise", afirmou o ministro. Mantega lembrou que a crise financeira começou em agosto de 2007 e já trouxe alguns efeitos sobre alguns países emergentes com a redução do comércio exterior. Segundo ele, países como Índia e Rússia começaram a ter uma desaceleração do comércio. No Brasil, disse ele, a crise começou a ter efeito a partir de setembro, com a quebradeira dos bancos nos Estados Unidos e a retração do crédito. O ministro afirmou que a reação do Brasil para enfrentar a crise, que definiu como "uma das maiores crise que o capitalismo já enfrentou", é resultado da preparação da economia brasileira. Essa preparação, conforme o ministro, teve como base a implantação de um novo ciclo de desenvolvimento. "Por muitas décadas, o Brasil cresceu a taxas medíocres. Nós implantamos um novo ciclo de desenvolvimento, com crescimento econômico mais vigoroso, acima de 4%, e crescimento que implica geração de riqueza e distribuição de renda, com geração de empregos", afirmou. Ele definiu o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) como o primeiro programa de crescimento nos últimos 30 anos. Mantega apresentou ainda uma série de pontos para mostrar que o país está melhor preparado para enfrentar problemas: "melhoramos a situação fiscal do país, diminuímos a dívida pública, diminuímos a vulnerabilidade externa acumulando reservas e controlando a inflação".  Obama  O ministro classificou como positiva a decisão do presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, de anunciar os integrantes de sua equipe econômica. Com isso, segundo Mantega, Obama "já começa a tomar as rédeas do processo decisório da economia". Ele destacou que um dos problemas para o enfrentamento da crise financeira mundial é que os Estados Unidos, país-chave no processo, encontra-se em um processo de transição, uma vez que o presidente eleito só tomará posse no cargo em 20 de janeiro. "esse vazio de poder que dificulta a tomada de decisões e medidas para enfrentar a crise", afirmou o ministro, lembrando que a conjuntura atual exige ações muito rápidas por parte dos governos. Ele demonstrou preocupação com a possibilidade de os países desenvolvidos entrarem em recessão. Lembrou que alguns países da União Européia já apresentam quadro recessivo e que os Estados Unidos também deverão apresentar um desempenho semelhante. O resultado disse, conforme o ministro, é que o desemprego aumenta. Mantega disse que nos Estados Unidos já é detectável o fenômeno da deflação, que é o crescimento negativo dos preços. "Para nós, pode parecer uma coisa boa. Mas a economia que apresenta deflação está dizendo que a demanda caiu muito, a capacidade de consumo caiu e não está havendo atividade econômica", afirmou. Ele lembrou que a deflação mais célebre aconteceu na depressão dos anos 30, quando o desemprego nos Estados Unidos atingiu o nível de 25% da população ativa.

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