Augustin Marcarian/AFP
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"Crescimento tem sido surpreendentemente baixo", diz Lagarde sobre economia mundial

A diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, alerta que "riscos significativos" para a economia mundial estão se materializando e "nuvens mais negras" estão se aproximando.

Altamiro Silva Junior e Anne Warth, O Estado de S.Paulo

28 de novembro de 2018 | 14h17

BUENOS AIRES - O Fundo Monetário Internacional (FMI) vai alertar os principais líderes globais durante a reunião do G-20 em Buenos Aires, que começa na sexta-feira, 30, que o crescimento da economia mundial prossegue, mas se tornou mais desigual. Há sinais de que a expansão pode estar ficando mais moderada e a atividade mundial pode perder fôlego mais rapidamente que o previsto, de acordo com documento preparatório para o encontro divulgado nesta quarta-feira. O texto afirma que os riscos de piora da atividade mundial cresceram e fala da "necessidade urgente" de se reduzir as tensões comerciais no planeta.

De acordo com a diretora-gerente do FMI, Christine Lagarde, "dados recentes sugerem que estes 'ventos contrários' podem ter reduzido ainda mais o fôlego da atividade do que nos estávamos antecipando". 

Em texto divulgado hoje, Lagarde mencionou que, em outubro, o FMI já havia reduzido a previsão para o crescimento da economia mundial em 2019, estimando expansão de 3,7%, corte de 0,2 ponto porcentual perante o esperado em julho. "Nuvens mais escuras estão retornando ao horizonte."

Ela destaca que o crescimento no terceiro trimestre tem sido "surpreendentemente baixo", sobretudo nas economias emergentes, como a China e na zona do euro. Caso a premiê britânica Theresa May, que estará em Buenos Aires para a reunião do G-20, não consiga chegar um acordo para a retirada da região da União Europeia, a confiança dos agentes pode ficar ainda mais abalada, alerta Lagarde.

Recado para o Brasil

Lagarde avalia que  países como Brasil, China e Índia ganhariam caso se "afastassem de impostos que geram distorções" e, por isso, afetam a estrutura de negócios. No texto divulgado hoje, a dirigente defende a reforma nos mercados de trabalho dos países membros do G-20 e afirma que é "imperativo" que as economias evitam novas barreiras comerciais, ao mesmo tempo que devem reverter aumentos de tarifas implementados recentemente.

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