Criação de 101 mil vagas formais em agosto decepciona

Tanto especialistas quanto governo esperavam perto de 186 mil empregos no mês, que apresentou o pior resultado em dez anos

CÉLIA FROUFE / BRASÍLIA , O Estado de S.Paulo

21 de setembro de 2012 | 03h04

A geração de postos de trabalho com carteira assinada em agosto decepcionou analistas do mercado financeiro e o próprio Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) divulgado ontem, foram criadas 100,9 mil vagas, o menor volume para agosto em dez anos. Tanto especialistas quanto o governo aguardavam perto de 186 mil empregos, que é a média para o mês.

O tombo de 56,2% ante agosto do ano passado, quando o saldo foi de 230,6 mil já considerando as informações enviadas com atraso pelas empresas, surpreendeu o diretor do departamento de Emprego e Salário do MTE, Rodolfo Torelly. "O resultado ficou abaixo do esperado, mas estaria assustado se fosse uma perda de emprego. Não é novidade que o cenário internacional está difícil e crise é perda de emprego, o que não está acontecendo."

Para o diretor, o saldo de setembro certamente será mais forte. Alguns fatores corroboram essa previsão mais otimista: demanda ainda reprimida, efeito das medidas do governo para reanimar a economia e o histórico que revela meses de setembro como os melhores do ano para o mercado de trabalho, ao lado dos de maio. "O agosto fraco pode ser o prenúncio de um setembro forte. Meu feeling de técnico é o de que teremos um bom setembro", considerou o técnico.

Por causa dessa perspectiva, Torelly manteve a previsão de criação de 1,5 milhão a 1,7 milhão de novos postos de trabalho formais este ano. De qualquer forma, o resultado será inferior aos 2,02 milhões de vagas em 2011. Até agosto, o saldo é de quase 1,4 milhão, o que representa queda de 24,5%, na comparação com o período de janeiro a agosto do ano passado. "O cenário para o ano é bom e a perda mais localizada é na indústria. Vamos esperar para ver o impacto das medidas do governo", disse Torelly.

A agricultura foi o único setor a contribuir negativamente para o resultado, ao fechar 16,6 mil postos. Segundo o ministério, foi um movimento sazonal explicado pelo fim da colheita de café. Apesar disso, o diretor do MTE salientou que o movimento não preocupa justamente por causa do efeito típico do período - em igual mês de 2011, o mercado agrícola perdeu 19,5 mil postos.

O que chama atenção, conforme Torelly, é a perda de dinamismo nos demais setores. Os serviços contrataram 54,3 mil mais do que demitiram; o comércio, 31,3 mil; e a indústria de transformação, 16,4 mil. Até a construção civil, que vinha surpreendendo, criou pouco mais de 11 mil. Outro ponto importante foi a maior geração de vagas no interior (37,6 mil) do que nos grandes centros urbanos (31,4 mil).

Esse ponto ajuda a entender a diferença entre os resultados do Caged e do IBGE, também divulgado ontem. É que o Caged considera apenas os empregos com carteira assinada em todas as regiões do País. Já o IBGE leva em conta uma amostragem de algumas regiões metropolitanas e inclui os empregos informais.

Casos. Desemprego é uma palavra que a relações públicas Júlia Prieto não quer voltar a ouvir tão cedo. A profissional, de 26 anos, passou oito meses à procura de trabalho. "Participei de umas dez entrevistas." Hoje, Júlia é assistente de produção de eventos numa grande empresa do setor.

O radialista Lucas Dias passou pela mesma situação. Ele foi despedido em outubro do ano passado. Depois de quase um ano, conseguiu voltar ao mercado em agosto e trabalha como sonoplasta em uma emissora de TV.

Já para a enfermeira Mayara Morale, de 23 anos, a dificuldade foi o primeiro emprego. Ela se formou em junho de 2011, e hoje trabalha numa empresa de emergências médicas. / COLABORARAM LUIZA VIEIRA e MARCIO DOLZAN, ESPECIAL PARA O ESTADO

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