Criação de área comercial entre Mercosul e UE é suspensa

A Europa não poderia ter sido mais clara sobre seus projetos para o Mercosul e joga um balde de água fria sobre as pretensões do Itamaraty. Na terça-feira em uma audiência pública em Bruxelas, os negociadores europeus informaram que o processo para a criação de uma área comercial entre a UE e o Mercosul está suspenso até que se saiba qual será o resultado das negociações da Organização Mundial do Comércio (OMC). O Brasil, que assume a presidência do Mercosul nesta segunda metade do ano, enviou uma carta a Bruxelas pedindo a retomada das negociações com a UE. O Itamaraty quer que reuniões sejam agendadas para dar prosseguimento ao processo. Mas os europeus já falam em uma "negociação mais lenta" como uma forma para que os dois blocos possam avaliar os impactos das aberturas de seus mercados com um eventual acordo na OMC antes de fechar mais um entendimento comercial. Análises Os europeus já indicaram que farão essas análises no setor agrícola, automotivo e produtos florestais. No setor agrícola, a preocupação é a de saber como ficará o mercado europeu para carnes depois do acordo da OMC e de um eventual ganho para brasileiros e argentinos. Essa avaliação não ocorreria antes de março de 2007.As negociações entre os dois blocos já duram sete anos e até agora não há sequer um esboço de um acordo. Em 2004, o processo foi interrompido diante das diferenças entre os europeus e o Mercosul. No ano passado, os negociadores tentaram retomar o processo, mas poucos avanços foram feitos. Acessos x barreiras Do lado do Mercosul, o bloco quer um maior acesso a seus produtos agrícolas no mercado europeu. Bruxelas admite que terá de reduzir suas barreiras, mas oferece um corte pequeno de tarifas de importação e um aumento limitado das cotas para produtos como açúcar e carnes. Já os europeus insistem que o Mercosul precisam abrir seus mercados para produtos industriais e serviços de forma mais ampla. A fase mais recente de reuniões, no início do ano, também não resultou em avanços. O Mercosul fez sua oferta do que estava preparado para liberalizar em seu mercado para produtos europeus, mas Bruxelas retribuiu a iniciativa com uma proposta que desagradou o Brasil e os demais países sul-americanos. Preocupados com a falta de comprometimento das autoridades européias, os governos do Mercosul querem agendar a reunião para deixar claro pelo menos que o processo está em andamento e vivo. O objetivo implícito é não deixar que a negociação saia das agendas dos governos, como ocorreu com a Área de Livre Comércio das Américas (Alca) que há meses não realiza um encontro sequer entre os diplomatas responsáveis pelo dossiê.

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