Criação de bandeira local era ''inevitável'', dizem especialistas

Apesar do crescimento médio de 20% ao ano na última década, setor ainda tem forte potencial de expansão

Altamiro Silva Júnior, O Estado de S.Paulo

28 de abril de 2010 | 00h00

A criação de uma bandeira nacional de cartões de crédito, como a anunciada ontem por Bradesco e Banco do Brasil, era algo inevitável, avaliam especialistas do mercado de cartões de crédito. A razão é que o Brasil tem o mercado de cartões que mais cresce no mundo, a taxas anuais de mais de 20% há mais de 10 anos.

O Brasil tem ainda o maior potencial de expansão entre os países emergentes, por conta do crescimento do setor para o interior do País e para novos segmentos, como saúde e educação. O próprio governo já havia anunciado a intenção de estimular a criação de uma bandeira local de cartões.

Outro argumento em defesa de uma bandeira nacional é que os royalties gerados pelo mercado ficam aqui no Brasil. No caso das gigantes Visa e MasterCard, que são bandeiras americanas, as taxas cobradas por cada transação vão para a matriz dessas empresas nos Estados Unidos. O Brasil movimenta mais de R$ 500 bilhões por ano em transações com cartões de crédito, débito e loja.

Incentivo. O consultor Boanerges Ramos Freire, sócio da Boanerges & Cia., consultoria especializada em varejo financeiro, destaca que o próprio governo quer incentivar a criação de bandeiras nacionais, para competir com as duas maiores do mundo (exatamente a Visa e a MasterCard). Freire lembra que a Caixa Econômica Federal já chegou a anunciar intenção de criar uma bandeira. A TecBan, que administra a rede de caixas eletrônicos Banco24Horas, também é apontada como uma participante desse mercado, já que tem a bandeira de débito Cheque Eletrônico e pode reativar a marca.

Na avaliação de Reginaldo Zero, presidente da Fidelity, uma das maiores processadoras de cartões do mundo, o Brasil realmente tem espaço para uma bandeira nacional, seja de cartão de débito ou de crédito. O executivo participou ontem da Cards 2010, evento que reúne os especialistas do setor. "Não é um mercado para principiantes", disse Zero, destacando que a entrada no mundo dos cartões exige investimento e estratégia bem definida.

No final do ano passado, o Banco Central divulgou documento estabelecendo diretrizes para o setor de cartões. Uma delas é a criação de uma bandeira nacional. A outra é o compartilhamento de máquinas de leituras (chamadas de POS) e o fim da exclusividade no credenciamento de estabelecimentos comerciais.

Expansão

R$ 553 bi

devem ser movimentados este ano pelo mercado de cartões no Brasil, um crescimento de 22% sobre 2009, segundo o consultor Boanerges Ramos Freire

R$ 313 bi

desse total devem ser movimentados somente pelos cartões de crédito

605 milhões

de cartões é o número que deve ser atingido no País este ano

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