Criação de emprego formal desacelera 36%

Setor de serviços abriu 83.182 vagas a mais do que o número de postos fechados em março ante fevereiro; a indústria registrou 5.048 demissões

AYR ALISKI, IURI DANTAS/BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

17 de abril de 2012 | 03h07

A geração de emprego com carteira assinada desacelerou em março. Foram criadas 111,7 mil vagas a mais do que o número de demissões, uma queda de quase 36% em relação aos dados ajustados de fevereiro. A indústria e a agricultura foram os únicos setores que demitiram mais do que contrataram. Analistas acreditam que mesmo que a economia tenha um desempenho este ano melhor do que o de 2011, o mercado de trabalho deve reagir em ritmo mais moderado.

De acordo com os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgados ontem pelo Ministério do Trabalho, enquanto o setor de serviços abriu 83.182 vagas a mais do que o número de postos fechados, a indústria registrou 5.048 demissões líquidas. Segundo técnicos do governo, essa queda foi puxada pelo fraco desempenho das fábricas de produtos alimentícios, que fecharam mais de 25 mil vagas em março.

Analistas da LCA Consultores classificaram como "muito preocupante" o desempenho do emprego industrial. Há duas semanas, o governo lançou um pacote de medidas para tentar ajudar o setor a enfrentar a crescente concorrência internacional. Entre as medidas lançadas está a ampliação para 11 setores da desoneração da folha de pagamento de salários.

Produtividade. Para o coordenador de Política Econômica e Desenvolvimento Regional do Conselho Federal de Economia, Julio Miragaya, o emprego na indústria não terá um bom ano. "A recuperação da produtividade vai se dar às custas da empregabilidade, a indústria vai tentar fazer mais com o mesmo número de funcionários, o que significa pisar no freio do salário e do emprego", disse.

Mesmo considerando que as medidas lançadas pela presidente Dilma Rousseff estão na "linha certa", Miragaya pondera que o pacote é insuficiente para mudar de forma robusta o cenário. "As medidas de desoneração da folha de pagamento vão na linha certa, mas são tímidas, na minha avaliação, e não devem mudar o quadro", disse o economista.

"Mesmo que a economia tenha um resultado melhor neste ano do que em 2011, não vamos repetir o mesmo desempenho no mercado de trabalho." O estrategista chefe do banco West LB, Luciano Rostagno, é mais otimista. Para ele, A redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) da linha branca (fogões e geladeiras), o aumento de imposto sobre produtos importados, entre outras medidas lançadas pelo Palácio do Planalto, devem dar um impulso à industria nos próximos meses. O aumento no credito, outra bandeira da equipe econômica, também deve contribuir para aumentar o consumo. "A expectativa é que o emprego na indústria volte a se recuperar um pouco", ponderou.

Mas Rostagno concorda que a geração de empregos este ano no Brasil será mais modesta. Para o economista, os números do Caged mostram uma limitação da capacidade produtiva de ofertar novas vagas. "Alguns gargalos limitam a expansão do mercado, estamos próximos a um limite. A tendência é que a criação de vagas perca fôlego", disse.

Na comparação com o mesmo período do ano passado, o desempenho da geração de emprego com carteira assinada foi positivo. Em março, foram criadas 19 mil vagas a mais do que o registrado no mesmo mês de 2011.

Apesar do governo ter destacado esse dado na divulgação do relatório ontem, os economistas foram mais cautelosos na avaliação.

"A ocorrência do Carnaval em março do ano passado acabou rebaixando seu volume contratado. Ou seja, a base de comparação está subestimada", afirmaram os economista da LCA em relatório para clientes.

"Considerando esta fraca base, avaliamos que os 111,7 mil novos postos registrados em março de 2012 não se configuram como bom resultado."

Segundo os dados do Caged, 16 unidades da Federação apresentaram resultado positivo e os demais 11 Estados tiveram retração. Os número mostram que São Paulo gerou 47.279 postos de trabalho (saldo de 589.981 admissões e 542.702 desligamentos), o maior valor absoluto. Em situação oposta, Alagoas apresentou o maior saldo negativo, com enxugamento de 21.032 postos de trabalho.

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