Criação de emprego formal no País cai 88% em novembro

Saldo de vagas com carteira assinada somou 8,3 mil no mês passado, o desempenho mais fraco para o período em seis anos

O Estado de S. Paulo

18 Dezembro 2014 | 14h27

Atualizada às 22h

Sequela do baixo crescimento da economia, o movimento típico de contratação que ocorre todos os anos em novembro, quando as empresas buscam trabalhadores temporários para a demanda do Natal, não foi suficiente para reverter o cenário de baixa criação de empregos verificado no País ao longo de 2014. 

O saldo de empregos formais em novembro foi de apenas 8.381 vagas. O resultado foi o pior para os meses de novembro desde 2008, ano que marcou a aterrissagem forte da crise financeira internacional com um saldo negativo de 40.821 postos de trabalho. 

A redução foi de 87,92% na comparação com novembro de 2013, no qual houve a geração de 69.361 vagas, na série ajustada. Já na série sem ajustes, a queda nessa mesma base de comparação foi de 82,3% (veja o gráfico acima). A perda de fôlego no ritmo do nível de contratação consta do balanço do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgado na quinta-feira pelo Ministério do Trabalho. 

O mercado de trabalho acumula a geração de 938.043 empregos formais nos 11 meses de 2014. É o menor resultado para o acumulado anual até novembro desde 2003. Naquele ano, na série ajustada, o Brasil chegou ao fim de novembro com a geração de 860.887 postos. 

O fraco desempenho do mercado de trabalho no ano reflete o baixo crescimento da economia, segundo o economista Guilherme Maia, da Votorantim Corretora. A estimativa oficial do governo é de que o PIB cresça apenas 0,3% em 2014. “Os resultados apresentados por indústria e construção civil estão relacionados com a retração dos investimentos, que devem cair 7% neste ano, depois de terem subido 5% em 2013”, comentou. 

Setores. O saldo modesto de vagas em novembro ocorreu em função de demissões no setor de construção civil, que reduziu 48.894 postos no mês passado.

Em seguida está a indústria de transformação, com a demissão de 43.700 vagas. A indústria química puxou os cortes, com redução de 8.530 vagas.

No acumulado do ano, a indústria tem saldo positivo em 7.990 vagas. 

Trata-se do pior estoque de postos no acumulado de janeiro a novembro da série ajustada iniciada em 2002 pelo Caged.

O Estado de São Paulo, que é o mais industrializado do País, foi que mais demitiu. O saldo do Estado ficou negativo em 18.319 vagas - queda puxada pela demissão de 29.180 trabalhadores da indústria. 

Para o economista Fábio Romão, da LCA Consultores, 2014 foi um ano de ajuste do mercado e que os resultados não devem se repetir em 2015. “A indústria teve em 2014 um fechamento de postos importante, que não vai acontecer ano que vem novamente”, afirmou. / COLABORARAM CARLA ARAÚJO E RICARDO LEOPOLDO

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