Criação de empregos avança, mas ainda sinaliza recuperação fraca da economia

Foram criadas 112,4 mil vagas em março, só 0,63% a mais que em 2012; indústria de transformação pode ter retomada

Renata Veríssimo, da Agência Estado,

17 de abril de 2013 | 14h50

BRASÍLIA - O criação de empregos com carteira assinada em março foi de 112.450 vagas, segundo dados divulgados nesta quarta-feira, 17, pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). É o maior resultado para o mês desde março de 2010, quando foram criadas 266,4 mil empregos. Mesmo assim, o desempenho é apenas 0,63% maior que em igual mês do ano passado, o que indica uma recuperação ainda tímida da economia.

A indústria de transformação também teve o melhor março dos últimos três anos, ao gerar 25.790 novas vagas, o que indica uma recuperação, segundo o ministro do Trabalho e Emprego, Manoel Dias. Em março do ano passado, o setor fechou 49 vagas (na série com ajuste). "A prova que está se recuperando é que está voltando a ter sua participação importante no desenvolvimento nacional. É um crescimento expressivo se considerar o que aconteceu no passado", afirmou.

O setor de serviços foi o que puxou a recuperação do emprego no mês passado, totalizando 61.349 novos postos de trabalho. "O emprego do futuro será o setor deserviços", afirmou o ministro do Trabalho, Manoel Dias.

A geração líquida de empregos em março ocorreu em seis dos oito setores registrados no Caged e ainda pode ser revista porque as empresas costumam enviar dados sobre contratações e demissões fora do prazo estipulado pelo MTE (por isso o dado é considerado sem ajuste sazonal). A construção civil teve um saldo líquido de 19.709 postos em março e o de comércio, 3.160 vagas. A agricultura registrou fechamento de 4.434 postos de trabalho formal.

O setor de serviços industriais de utilidade pública fechou 335 postos. O ministro disse que está mantida a meta para este ano de ter uma geração líquida de empregos formais de 1,7 milhão. Ele acredita que serão 5 milhões de novas vagas até o final do ano. Dias previu também que a geração de emprego em abril será maior que março.

A criação de empregos, contudo, apresentou queda de 32% em relação a março do ano passado pela série com ajuste (165.892 postos), que considera as informações enviadas pelas empresas fora do prazo. No acumulado do primeiro trimestre, houve criação líquida de empregos formais de 306.068 vagas.

Selic e emprego. Dias afirmou que um eventual aumento da taxa Selic pelo Comitê de Política Monetária (Copom) não afetará a geração de novos empregos formais. Segundo ele, a economia não vai parar por conta disso. "O mercado de trabalho está aquecido em função do movimento econômico do País", afirmou. Ao ser contestado com a informação de que o crescimento econômico ainda é fraco, ele rebateu: "Economia fraca que está gerando novos empregos? A economia não é só a indústria de transformação. É a soma de todos estes resultados". Segundo Dias, a política do governo Dilma é de investir em infraestrutura e gerar desenvolvimento para levar o País a crescer e superar todas as dificuldades.

O ministro também lembrou que há dúvidas sobre a decisão de hoje do Copom. "Não sei se o governo vai aumentar juros. Ainda há dúvidas sobre esta decisão. Mas independentemente, se o governo aumentar juros, eu creio que não vai afetar a geração de novos empregos", disse.

Salário e inflação. O ministro do Trabalho descartou a tese de que a recuperação do mercado de trabalho pode gerar pressão inflacionária. Segundo ele, a presidente Dilma Rousseff advoga que o combate à inflação se faz com geração de novos empregos, com crescimento e desenvolvimento. "Nunca no mundo, crescimento e desenvolvimento foram fatores de geração de inflação. Eu acho que a política correta é essa. Desde 2003, há crescimento permanente de salários. Isso não gerou inflação em outros momentos. Então, aumentar os salários não é o fator de inflação", argumentou.

Segundo os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) os salários médios de admissão no primeiro trimestre de 2013 tiveram um aumento real de 1,71% em relação ao mesmo período de 2012. Desde 2003, os salários tiveram ganho real de 41,36%.

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