Criação de empregos formais cai 47% em agosto

Saldo líquido de empregos formais gerados em agosto foi de 100.938, segundo dados do Caged. Para o governo, que esperava criação de cerca de 186 mil vagas, resultado foi uma surpresa

Célia Froufe, da Agência Estado,

20 de setembro de 2012 | 14h53

Atualizado às 16h30

BRASÍLIA - O saldo líquido de empregos formais gerados em agosto foi de 100.938, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego. O resultado é fruto de admissões de 1.819.767 empregados com carteira assinada e desligamentos de 1.718.829 pessoas. No acumulado do ano até agosto passado, o saldo liquido de empregos ficou em 1.378.803.

O resultado do mês de agosto, sem ajuste, foi o pior para o mês desde 2003, quando a geração líquida de empregos com carteira assinada foi de 79.772.

Na comparação sem ajuste, que considera o primeiro dado divulgado pelo MTE sem a compilação das informações enviadas com atraso pelas empresas, foi constatada uma queda de 46,99% na geração de empregos com carteira em agosto ante agosto de 2011, quando foram criados 190.446 postos. Esta é a forma de comparação defendida pelo MTE.

Para o governo, o resultado foi uma surpresa, segundo o diretor do departamento de Emprego e Salário do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), Rodolfo Torelly. Ele disse que a expectativa era de criação de aproximadamente 186 mil postos no mês passado, que é a média para o mês. "O resultado ficou abaixo do esperado. O mercado não está tão previsível", comentou o diretor. "No mês de julho cresceu demais e, em agosto, cresceu menos do que esperávamos."

Apesar de a agricultura ter sido o único setor a encolher em agosto, Torelly salientou que, em igual mês do ano passado, também foram fechados mais postos do que abertos. O saldo líquido de agosto deste ano fechou negativo em 16.615 postos, mas, em igual mês de 2011, o resultado tinha sido de perda de 19.498 postos. "Houve uma perda de dinamismo de todos os setores. A construção civil foi uma surpresa, o serviço perdeu força e a indústria perdeu dinamismo", disse.

Segundo Torelly, o resultado de agosto não é bom, mas também não chega a ser péssimo, principalmente quando considerado o quadro internacional. "Estaria assustado se fosse uma perda de emprego, crise é perda de emprego. Não é novidade para ninguém um cenário internacional difícil", pontuou.

O diretor mantém a projeção de geração líquida de emprego este ano de 1,5 milhão a 1,7 milhão. Até agosto o saldo está em 1,38 milhão. "O cenário para o ano é bom e a perda mais localizada é na indústria. Vamos esperar para ver o impacto das medidas do governo", considerou.

Agricultura

A Agricultura foi a principal responsável pelo número abaixo do esperado de criação de empregos com carteira assinada em agosto. O setor encolheu o mercado de trabalho em 16.615 postos. Conforme o MTE, a queda deve ser atribuída a motivos sazonais.

O setor de Serviços seguiu liderando a abertura de vagas no mês passado, já que registrou um saldo líquido, já descontadas as demissões, de 54.323 postos. O volume de emprego no comércio no período foi de 31.347 e, da indústria da transformação, de 16.438. Já a construção civil registrou expansão de 11.278 postos, enquanto os serviços industriais de utilidade pública, 2.205.

MG e ES fecharam vagas por causa do fim da safra de café

Os Estados de Minas Gerais e Espírito Santo fecharam vagas em agosto, segundo o Caged. O principal motivo para a queda, de 2.787 e 501 postos, respectivamente, foi o fim da safra de café, que influenciou os resultados desses Estados em -14.511 postos e -938 postos, nesta ordem.

Entre os destaques estaduais positivos, de acordo com MTE, estão São Paulo (30.465 postos), Rio de Janeiro (9.628), Pernambuco (9.218), Paraná (8.091) e Paraíba (7.851). O Sudeste ampliou o mercado de trabalho em 36.805 postos em agosto, conforme o Caged. Na sequência vieram Nordeste (29.618), Sul (20.164), Centro-Oeste (7.881) e Norte (6.470).

Projeções para setembro

Na opinião de Torelly, a geração líquida de empregos formais em setembro "com certeza" será maior do que a de agosto. "O agosto fraco pode ser o prenúncio de um setembro forte. Meu feeling de técnico é o de que teremos um bom setembro", disse.

"Ainda há demanda reprimida, repercussão das medidas do governo para ativar a economia e, além de tudo, setembro tradicionalmente é um mês forte", continuou. Segundo o diretor do MTE, os meses de setembro e maio são os que apresentam os dados mais robustos de geração de emprego. "O Brasil não precisa bater recorde de emprego todo mês."

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