Criação de empregos formais é a maior desde o início da crise

Brasil gera 242.126 postos em agosto, um recorde para o mês e o melhor resultado desde setembro de 2008

estadao.com.br,

16 de setembro de 2009 | 11h16

O Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) de agosto registrou a criação de 242.126 empregos formais, o melhor resultado desde setembro de 2008, quando foram criadas 282.841 vagas com carteira assinada no Brasil. O resultado também foi recorde para o mês na série histórica do Caged, iniciada em 1992. Para o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, os números representam uma recuperação generalizada dos empregos na economia brasileira. Os dados foram divulgados nesta quarta-feira, 16, pelo Ministério do Trabalho e Emprego.

 

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O saldo líquido positivo de agosto é resultado de 1,457 milhão de contratações e 1,215 milhão de demissões e representa um crescimento de 0,75% em relação ao estoque de empregos de julho. De janeiro a agosto, foram criados 680.034 postos de trabalho e, nos últimos 12 meses, 328.509 vagas.

 

De janeiro a agosto, a geração de vagas teve crescimento de 2,13% em relação ao estoque de postos de dezembro do ano passado. Em dezembro de 2008, com o agravamento da crise financeira, o saldo de empregos formais ficou negativo em 654.946. O resultado negativo se repetiu em janeiro (- 101.748) e desde fevereiro o cadastro acumula saldos positivos.

 

Em agosto, o setor de serviços criou 85,6 mil postos formais, o segundo melhor resultado da série para o mês e o melhor do ano. A indústria gerou 66,6 mil vagas, também o melhor resultado de 2009 e o segundo melhor da série para o mês. O comércio registrou 56,8 mil novas vagas, recorde da série para agosto, com destaque para o setor varejista, que registrou 47,3 mil novos empregos.

 

A construção civil criou 39,9 mil postos, resultado recorde para o setor em toda a série do Caged. A administração pública criou 3,3 mil vagas, o segundo melhor resultado para agosto. Somente a agricultura registrou queda na geração de empregos formais. Segundo Lupi, isso ocorreu em função de fatores sazonais no Centro-Sul do País, relacionados à entressafra de produtos agrícolas, como o café.

 

Indústria

 

O ministro do Trabalho, Carlos Lupi, afirmou nesta quarta que a indústria deverá apresentar resultados positivos recordes de geração de empregos formais nos meses de setembro a novembro. Segundo ele, já no resultado de setembro, o emprego formal industrial vai entrar em terreno positivo no acumulado do ano e fechar 2009, mesmo com a tradicional queda de dezembro, com criação de vagas. De janeiro a agosto, o emprego na indústria registra queda de 60,6 mil vagas, apesar do saldo positivo de 66,6 mil vagas somente no mês passado, o melhor resultado do ano.

 

Lupi afirmou que as empresas industriais no momento mais agudo da crise se precipitaram nas demissões e hoje estão praticamente sem estoques, o que as levará a contratar novos funcionários. Isso deve puxar a geração de empregos formais no setor. Ao ser questionado sobre se seria importante manter a desoneração de IPI para a indústria automobilística, Lupi disse que o setor não teve sensibilidade e cortou vagas na crise e agora uma eventual renovação do benefício fiscal dependeria de uma análise do comportamento na geração de empregos do segmento

 

Um milhão de empregos em 2009

 

Em 2009, segundo Lupi, serão gerados mais de um milhão de empregos formais. A projeção do ministro não mudou em relação ao que vem sendo dito nos últimos meses, mas ele ressaltou que, na divulgação do resultado de setembro, divulgará uma previsão nova, mais alta, para a geração de empregos com carteira assinada. Ao ser questionado porque não divulgava hoje a nova estimativa, Lupi respondeu com ironia: "Time que está vencendo não humilha o adversário." Segundo ele, os adversários são os "pessimistas".

 

Mais otimista inclusive que os mais otimistas do governo, Lupi prevê que a economia brasileira neste ano crescerá 2%. "Continuo falando sozinho nessa projeção", disse o ministro, que ironizou os analistas de mercado que projetavam queda de 2% a 3% no PIB brasileiro.

 

(com Fabio Graner, da Agência Estado)

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