Criação de empregos formais tem pior janeiro desde o auge da crise global

O mercado de trabalho começou 2013 enfraquecido. Em janeiro, foram criados apenas 28,9 mil postos de trabalho com carteira assinada, já descontadas as demissões. Segundo especialistas, o índice de emprego é um dos últimos habitualmente a refletir o enfraquecimento da economia.

CÉLIA FROUFE , BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

23 de fevereiro de 2013 | 02h08

O dado divulgado ontem pelo Ministério do Trabalho é o pior para o mês desde o auge da crise internacional, em janeiro de 2009, quando foram fechadas 101,8 mil vagas.

O volume de novos postos do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) em janeiro ficou 84% abaixo do resultado do mesmo mês de 2012, já considerando os números atualizados pelo governo.

"O dado indica perda de dinamismo do emprego, já apontada, em menor grau, em 2012. O resultado não é péssimo porque houve saldo positivo", disse o diretor do departamento de Emprego e Salário do Ministério do Trabalho, Rodolfo Torelly, que esperava a geração de 100 mil postos no primeiro mês do ano.

'Ocasional'. Por avaliar que o resultado pífio foi "ocasional", o diretor manteve a projeção de que o saldo de criação de empregos formais no ano deverá ficar positivo em 1,7 milhão de novas vagas.

"Claro que, se seguirmos nesse ritmo de janeiro, não vamos chegar nisso nunca", admitiu. Ele espera uma reversão dos números, baseada nas medidas que o governo lançou nos últimos meses para reativar a economia. "As medidas vão surtir efeito ainda no primeiro semestre", disse Torelly.

Temor. O fraco resultado do Caged preocupa o governo. Há um temor entre os conselheiros do governo que o ritmo lento da economia registrado no ano passado contaminasse o mercado de trabalho, um dos principais pilares da alta popularidade da presidente Dilma Rousseff.

Entre os muitos números divulgados ontem, o que mais salta aos olhos foi o do comércio, que dispensou 67,5 mil funcionários mais do que contratou no primeiro mês do ano. Foi o pior resultado para janeiro dos últimos 20 anos, quando o Caged ganhou o formato que tem hoje. A agricultura também contribuiu negativamente, ao demitir 622 pessoas mais do que contratou em janeiro.

Torelly explicou, porém, que, apesar de ainda positivo, o dado que mais prejudicou o resultado do mês foi o do setor de serviços, ao criar somente 14,8 mil postos.

Esse reflexo é mais forte porque a diferença em relação à geração de vagas em igual mês do ano passado é imensa, de mais de 82%. Pelos dados atualizados, o saldo do setor de um ano atrás foi de 85,6 mil.

Em meio a tantos números negativos, o diretor avaliou que, depois de um fim de ano fraco, o mercado de trabalho industrial pode ser visto como a "joia da rainha". O setor industrial criou 43,4 mil vagas em comparação a 42,8 mil de janeiro de 2012. "O efeito pode se prosperar para outros setores", disse Torelly.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.