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Criação de empregos nos EUA desacelera em setembro; desemprego cai para 3,7%

Foram criadas 134 mil vagas de empregos no mês passado, o menor número em um ano; furacão Florence, que atingiu as Carolinas do Norte e do Sul em meados de setembro, pode ter afetado resultado no período

Monique Heemann, O Estado de S.Paulo

05 Outubro 2018 | 13h08

A criação de vagas de trabalho nos Estados Unidos desacelerou com força em setembro provavelmente porque o furacão Florence prejudicou os setores de restaurantes e varejo, mas a taxa de desemprego caiu para perto da mínima de 49 anos de 3,7%, indicando um aperto adicional nas condições do mercado de trabalho.

O relatório mensal de emprego do Departamento de Trabalho também mostrou aumento constante dos salários nesta sexta-feira, 5, sugerindo pressões inflacionárias moderadas, o que pode aliviar as preocupações com o superaquecimento da economia e manter o Federal Reserve na trajetória de aumentos graduais da taxa de juros.

Foram criadas 134 mil vagas de empregos no mês passado, o menor número em um ano, já que os setores de varejo e lazer e hospitalidade fecharam postos de trabalho.

Os dados de julho e agosto foram revisados para mostrar 87 mil vagas a mais do que o informado anteriormente.

A previsão da instituição era de 175 mil novas vagas, enquanto a mediana de 33 estimativas colhidas pelo Estadão/Broadcast mostrava expectativa por criação de 185 mil postos de trabalho.

A economia precisa criar cerca de 120 mil empregos por mês para acompanhar o crescimento da população em idade ativa.

O presidente do Fed, Jerome Powell, disse na terça-feira passada que a perspectiva da economia é “notavelmente positiva” e acredita que está à beira de uma era “historicamente rara” de desemprego baixo e inflação contida.

Um mercado de trabalho robusto está sustentando a economia e, junto com o alto nível de poupança, pode sustentar os gastos do consumidor conforme o estímulo do pacote de corte de impostos de US$ 1,5 trilhão do governo norte-americano perde força.

O Departamento do Trabalho disse que é possível que o furacão Florence, que atingiu as Carolinas do Norte e do Sul em meados de setembro, possa ter afetado o emprego em algumas indústrias. Ele disse que é impossível quantificar o efeito líquido sobre o emprego.

Os ganhos médios por hora aumentaram oito centavos, ou 0,3% em setembro, após subirem 0,3% no mês anterior. Com o aumento de setembro abaixo do ganho de 0,5% registrado durante o mesmo período do ano passado, isso reduz o aumento anual dos salários para 2,8%, de 2,9% em agosto, que foi o maior aumento em mais de nove anos.

O crescimento salarial continua sendo suficiente para manter a inflação em torno da meta de 2% do Fed, o banco central americano.

Juros

A geração "decepcionante" de empregos, contudo, não deve alterar a trajetória de aperto monetário gradual do Fed, avaliou o economista-chefe para EUA do JPMorgan, Michael Feroli, em teleconferência nesta sexta-feira.

"Continuamos esperando altas de juros em 2019, assim como em dezembro. O Fed vai continuar a apertar até conseguir o que quer", afirmou.

O analista acrescentou que as novas tarifas americanas de 25% sobre importações chinesas, que devem entrar em vigor no início do próximo ano, devem ter um impacto "moderado" tanto no crescimento do país quanto na inflação. /COM BROADCAST E REUTERS 

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