STAN HONDA/AFP
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Criação de empregos nos EUA tem forte desaceleração em maio

Contrariando a expectativa de 158 mil vagas, o país gerou apenas 38 mil postos de trabalho, desempenho mais fraco desde 2010

O Estado de S. Paulo

03 Junho 2016 | 10h35

WASHINGTON - A economia dos Estados Unidos abrandou drasticamente e criou apenas 38 mil empregos em maio, o desempenho mais fraco desde 2010, em um sinal de que os empregadores podem estar ainda cautelosos, após a desaceleração registrada no início deste ano.  Analistas ouvidos pelo Wall Street Journal previam que tivessem sido geradas 158 mil novas vagas e que a taxa de desemprego ficasse estável. A taxa de desemprego, porém, recuou de 5,0% para 4,7%, taxa mais baixa desde novembro de 2007.

A queda do emprego no setor de produção de bens indica a fraqueza no mercado de trabalho, o que pode tornar mais difícil para o Federal Reserve, banco central do país, elevar os juros. A probabilidade de alta dos juros durante a reunião de junho do BC americano recuou de 21%, antes do relatório mensal de empregos, para 6% logo após o dado, segundo dados do CME Group. Para julho, as chances caíram de 58% para 42%. Os números são baseados nos futuros dos Fed-funds, usados por investidores para fazer apostas sobre a política do BC dos EUA.

Segundo o banco Barclays, o relatório ficou "fortemente abaixo das expectativas", mesmo levando em consideração a greve da Verizon, e indica risco de uma recessão no país. 

Em nota, economistas do banco dizem que uma elevação de juros em junho pelo Fed "está fora da mesa" e que a probabilidade de julho também diminuiu bastante. "O crescimento do payroll ficou abaixo da média atual em três dos últimos quatro meses, o que para nós é um sinal e que os riscos de uma recessão no curto a médio prazo aumentaram". O Barclays também sinalizou que a sua expectativa de uma alta dos juros em setembro pode ser movida para dezembro.

Cenário. As revisões mostraram que em março e abril foram gerados 59 mil empregos a menos que o antes calculado. Segundo os cálculos atualizados, os EUA criaram 123 mil vagas em abril e 186 mil em março.

Parte do resultado é reflexo da greve de funcionários da Verizon, segundo o governo norte-americano. A paralisação de um mês na empresa deprimiu o crescimento de emprego em 34 mil vagas.

A queda do emprego no setor de produção de bens indica a fraqueza no mercado de trabalho, o que pode tornar mais difícil para o Federal Reserve, banco central do país, elevar os juros.

A geração de empregos nos últimos três meses está em média em 116 mil ao mês, uma forte desaceleração em relação à média de 219 mil ao longo dos últimos 12 meses.

O salário médio por hora trabalhada no setor privado aumentou US$ 0,05 no mês de maio, para US$ 25,59. Na comparação anual, o salário avançou 2,5% em abril, acima da média de 2,1% durante os últimos sete anos.

A parcela de norte-americanos que participam da força de trabalho diminuiu para 62,6% em maio ante dezembro de 2015. Em abril, a taxa estava em 62,8% em abril. A semana de trabalho média ficou inalterada em 34,4 horas em maio. (Com informações da Dow Jones Newswires e da Reuters)

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