Criação de empregos surpreende e sobe 18%

Mercado criou 142,5 mil novos postos com carteira assinada em julho, segundo Caged

CÉLIA FROUFE/BRASÍLIA , O Estado de S.Paulo

17 de agosto de 2012 | 03h07

A criação de empregos em julho surpreendeu o mercado financeiro e o governo, e trouxe ânimo em um momento de dúvidas sobre a recuperação econômica. De acordo com o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) foram criados 142,5 mil postos com carteira assinada, já descontadas as demissões, revelando que o mês passado foi melhor que junho, o que é raro.

Pela primeira vez no ano, houve expansão das vagas em todos os Estados do País e no Distrito Federal. Além disso, a indústria mostrou recuperação em setores que estavam combalidos. "Esperávamos, no máximo, um saldo de 120 mil vagas", disse o diretor do departamento de Emprego e Salário do MTE, Rodolfo Torelly.

"A indústria veio mais forte que o esperado e o saldo também ficou além do que projetávamos", acrescentou o economista da LCA Consultores Caio Machado. O dado de julho foi considerado inusitado por continuar a mostrar aumento do mercado de trabalho em meio a uma atividade econômica ainda raquítica. Pegando-se o dado bruto - o primeiro a ser divulgado - o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do MTE revela que o crescimento foi de 18% sobre a geração de 120,4 mil vagas vistas em junho.

Quando esse dado é ajustado, porém, verifica-se que o movimento do mercado de trabalho não foi tão forte, já que a base de comparação passa a ser um saldo de 139,9 mil postos no fechamento do primeiro semestre. A diferença se dá por causa do atraso das empresas em enviar informações sobre contratações e desligamentos ao governo.

Usando os dados ajustados, a geração líquida de emprego em julho, frente ao mesmo período do ano passado, ficou 20% menor. Na primeira leitura, o volume de empregos gerados no início do segundo semestre de 2011 foi de 140,5 mil, valor que subiu para 177,3 mil com as inclusões dos atrasados. Essa correção também acontecerá com o número divulgado ontem.

"É um bom resultado, mas ainda é cedo para dizer que se trata de uma recuperação, estamos sendo cuidadosos", disse Torelly. Apesar disso, ele enumerou os "sinais positivos" que podem ser lidos pelos dados do Caged. Um deles é a recuperação do emprego no setor agrícola, que teve saldo de 23,9 mil postos. Outro é que o resultado ficou, já na primeira apuração, próximo da média mensal para meses de julho desde 2003.

Uma terceira pista é a de que, tradicionalmente, o mês de julho tende a ser mais fraco do que o de junho. Como desta vez houve inversão, criou-se a expectativa de que agosto será forte, já que o mês costuma ser mais robusto do que julho. "Todos os Estados, regiões e setores foram positivos", comemorou Torelly.

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